Sábado, 3 de Dezembro de 2022
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Desafio da imprensa regional passa por captar jovens

Num mundo onde a informação está espalhada por todo o lado, como se pode falar em desertos de notícias? Esta é uma questão pertinente, levantada pelo estudo do investigador Giovanni Ramos, da Universidade da Beira Interior (UBI).

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Segundo o investigador, “desertos de notícias são regiões que não possuem noticiário local, em que a população se quiser saber o que acontece na sua cidade ou na sua comunidade, precisa de procurar meios informais, porque não há jornalismo”.

No total de 308 municípios, “mais de 50% (163) encontram-se nas categorias de deserto e semideserto ou ameaçado. 54 municípios estão totalmente sem notícias, outros 24% estão no semideserto e há 88% ameaçados”.

“As regiões do país mais afetadas são o Alentejo e Trás-os-Montes. No distrito de Vila Real, metade dos concelhos estão em desertos do notícias, situação que se agrava no distrito de Bragança, onde mais de metade não tem qualquer meio de comunicação social, ao contrário do distrito do Porto ou Braga”, explicou Giovanni Ramos, adiantando que este deserto de notícias ocorre “em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos e com menor atividade económica”.

Além disso, a crise que afeta o jornalismo, com as mudanças no mercado, com a Internet e as plataformas como Google e Facebook, que captam a publicidade, vieram agravar a situação dos meios tradicionais, como a imprensa regional, que procura soluções para o futuro.

Estes dados foram revelados durante a conferência promovida pela VTM, no âmbito dos 75 anos do jornal, em que o investigador foi um dos oradores convidados.
Seguiu-se um debate sobre “A Imprensa regional e os desafios do futuro”, moderado pelo diretor da VTM, João Vilela.

Apesar dos momentos complicados que atravessa a imprensa, Patrícia Duarte, diretora-adjunta do Região de Leiria, acredita que é possível continuar a fazer bom jornalismo. “Apostamos no jornalismo puro e duro, porque acredito que o jornalismo ainda será um bom negócio”.

Nuno Francisco, diretor do jornal do Fundão, definiu o jornalismo como um “serviço público feito por empresas privadas”, lamentando o aumento “brutal” do preço do papel. Mesmo assim, ressalvou, “não podemos abdicar do papel, porque é daí que vem 90% das nossas receitas”.

Problema também levantado por João Campos, do Diário de Coimbra, que, apesar de tudo, tem conseguido aumentar as vendas. “O jornal pode ser lido na internet, mas tem de ser pago, porque a leitura gratuita não sei como poderá vingar”.

Um dos desafios para o futuro está em captar a atenção dos jovens, que “não leem jornais”. “É um público que tem de ser conquistado, em que temos de ir ao seu encontro e não esperar que sejam eles a vir até nós”.

Esta geração informa-se por outras vias (TikTok, Facebook, Instagram), pelo que há que encontrar soluções, que podem passar por políticas públicas. No entanto, Pedro Jerónimo, investigador da UBI, não acredita que o Estado esteja interessado em resolver esta questão.

DIGITAL

Será que o digital é a solução? Se não houver retorno ao nível da publicidade, não será sustentável. Pelo que o futuro poderá passar por parcerias com instituições de ensino

superior, por incentivos à leitura, em que o papel deve continuar a conviver com o digital.
“Temos de falar para o público mais jovem, as tecnologias são baratas e dá para fazer muitas coisas, mas temos de ser imaginativos”, conclui Giovanni Ramos.

O administrador da VTM, Samuel Cunha, que, em 2014, abraçou o desafio de continuar com a publicação do jornal, revelou que o caminho “tem-se revelado exigente, mas recompensador do ponto de vista do serviço público que é prestado diariamente aos nossos leitores”.

O reitor da UTAD, Emídio Gomes, lembrou que o jornal “foi sempre uma voz presente, uma voz de Trás-os-Montes e é referencial em tempos de grandes mudanças”, desejando que os 100 anos sejam novamente festejados na UTAD.

Isabel Ferreira, secretária de Estado, fechou a sessão, lembrando que “os jornais da imprensa regional são os verdadeiros embaixadores das regiões”.

Destaque ainda para as mensagens enviadas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e por Agostinho Chaves, ex-diretor do jornal, que recebeu a ovação da tarde.

Passeio a Fátima

©EN

As comemorações dos 75 anos do jornal A Voz de Trás-os-Montes terminaram com um passeio ao Santuário de Fátima, no domingo. Durante a viagem, que durou cerca de quatro horas, não faltou animação. Chegados ao destino, houve tempo para assistir a uma missa na Basílica da Santíssima Trindade, acender velas, participar no adeus a Nossa Senhora e passear um pouco pelos jardins ao redor do santuário.

Aníbal Pereira Dinis é de Sanguinhedo e assinante da VTM há cerca de 30 anos. Foi através do jornal que, quando estava emigrado na Suíça, “ia sabendo o que se passava por cá”. Agora, já em Portugal, “estou sempre à espera que ele chegue. Só depois é que vou até ao café”. Quando soube do passeio, “inscrevi-me logo”, adiantando que “gostei muito e deviam fazer mais vezes”.

Maria Luísa Silva soube do passeio através de uma amiga. “Ela fez-me o convite e eu aceitei. Gostei muito, foi um dia diferente e é para repetir”. E gostou tanto que se tornou assinante do jornal.

No regresso a casa, houve ainda tempo para uma paragem em Arcozelo (Vila Nova de Gaia) para uma visita ao Museu de Santa Maria Adelaide.

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