O congresso de 1926 constitui um “momento fundacional do Movimento Litúrgico em Portugal. Mais do que um evento de âmbito local, assumiu desde o início uma dimensão nacional, reunindo o episcopado e liturgistas de várias regiões do país”, realça a diocese numa nota de imprensa.
Ao contrário do que sucedeu noutros contextos europeus, onde a renovação litúrgica nasceu sobretudo em ambientes monásticos, em Portugal o movimento ganhou forma em contexto diocesano.
Sob o impulso de D. João Evangelista de Lima Vidal, então Arcebispo-bispo de Vila Real, reconhecido como o “Grande Apóstolo da Liturgia”, o congresso representou o amadurecimento do caminho iniciado no Congresso Catequético de 1925.
O Congresso de Vila Real teve o mérito de unir vontades até então dispersas, conferindo organização e identidade ao nascente Movimento Litúrgico português.
Deste impulso nasceu a revista Opus Dei (1926-1937), criada na sequência de um voto formulado pelos congressistas. Publicada sob o patrocínio da Ordem de São Bento e dirigida por D. António Coelho, monge de Singeverga e figura central do movimento, a revista tornou-se o principal órgão de difusão e reflexão litúrgica no país.
Os trabalhos do congresso centraram-se na formação litúrgica, na promoção de uma participação ativa e consciente na celebração e na valorização da liturgia como fonte da vida espiritual da Igreja.
O encontro lançou bases sólidas para a restauração litúrgica em Portugal e preparou o caminho para iniciativas posteriores, como o Congresso Litúrgico Nacional Romano-Bracarense realizado em Braga, em 1928.
A celebração de 19 de junho de 2026 não pretende repetir o congresso histórico, mas evocar e atualizar o seu legado.
O programa tem início às 15h00 com uma sessão de acolhimento.
Às 15h30, o padre Renato Oliveira apresentará a conferência «O Congresso Litúrgico de Vila Real: “Berço” do Movimento Litúrgico em Portugal», aprofundando o seu contexto, objetivos e frutos.
Às 18h00 será celebrada a Eucaristia, centro da vida eclesial e expressão viva do espírito que animou o congresso de 1926.
As comemorações culminam às 21h00 com um concerto evocativo do centenário.
Ao assinalar os cem anos deste acontecimento fundacional, reafirmam-se a centralidade da liturgia, a urgência da formação e a importância da participação ativa dos fiéis, em continuidade com o impulso iniciado há um século na capital transmontana.
A iniciativa é organizada em colaboração com o Secretariado Nacional de Liturgia.




