Esta zona florestal, a cerca de 4 quilómetros de Vila Pouca de Aguiar, tem escapado aos grandes incêndios de verão e é constituída por várias espécies arbóreas frondosas, sendo a sua principal referência o magnífico povoado de pinho Pseudo Tessuga. Com este projeto que envolve alguns organismos florestais e a Assembleia de Compartes do Conselho Diretivo de Baldios de Nozedo, os cerca de 70 proprietários de áreas florestais vão poder apresentar candidaturas a fundos comunitários do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).
De referir que, a área definida pela Região PROF do Barroso/Padrela encontra-se inserida na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, abrangendo parte do distrito de Vila Real. Administrativamente, os 289 392 hectares considerados distribuem-se por 6 concelhos (Chaves, Boticas, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Murça), que englobam um total de 158 freguesias. De salientar a superfície ocupada pelo concelho de Montalegre (cerca de 80 mil hectares), é o maior da região PROF, sendo o mais pequeno no concelho de Murça (cerca de 19 mil hectares).
Cerca de 170 hectares de floresta com mais de 70 anos
Um dos passos decisivos para a concretização da Mata Modelo do distrito de Vila Real foi dado na tarde de domingo, onde foi aprovado o Plano de Gestão Florestal (PGF) dos Baldios de Nozedo. Considerada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas como “Mata Modelo”, tem à sua frente um plano para 20 anos. Um autêntico manual de boas práticas na preservação e sustentabilidade daquele espaço único.
Apuramos que o Departamento da Conservação da Natureza e das Florestas do Norte justificou o processo de classificação da “Mata Modelo”, devido a ser uma zona que tem um povoamento com grande valor quer produtivo quer paisagístico, pois possui várias espécies muito nobres e frondosas. Com este documento vai ser criado um modelo de gestão sustentável que tem um caráter de demonstração para que outros proprietários florestais possam aplicar as mesmas práticas nas suas atividades. A Mata Modelo tem uma área de cerca de 170 hectares e está submetida ao regime florestal parcial. Pertence ao perímetro florestal da Serra da Padrela e tem povoamentos (áreas de floresta) que em termos de resinosas ultrapassam mais de setenta anos”.
Este plano vai até 2032 e foi aprovado pela Assembleia de Compartes, depois será submetido na especialidade à aprovação pelo ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), que tem a responsabilidade para a elaboração do PGF. “Como se sabe, os PGF em áreas baldias são da competência dos serviços de Estado (AFN, agora é ICNF). Este PGF foi feito em colaboração com os compartes e a sua conceção demorou cerca de meio ano. Neste âmbito foram realizadas várias visitas de campo e feito o levantamento das espécies implantadas no terreno, ao mesmo tempo foram colocados vários marcos de referência da área classificada. Nas instalações da antiga escola Primária, os cerca de 70 compartes (proprietários dos terrenos florestais) ficaram a saber as linhas de orientação e a calendarização das intervenções a fazer, principalmente no que concerne à limpeza, corte e abate de árvores, além das várias ações de prevenção contra incêndios”.
A “Mata Modelo” do distrito de Vila Real será também uma mais-valia para os compartes ao nível da produção de madeira, proteção de solo, já que terão espécies adequadas para reposições arbóreas. Ou seja, serão criados mecanismos de sustentabilidade florestal refletida nos respetivos povoamentos. Este PGF permitirá que todas as intervenções sejam feitas de uma forma mais atempada e saber onde, e como, tudo será realizado. As componentes de lazer e ambiental estarão presentes neste plano, com a colocação de equipamentos de recreio para fruição das pessoas.
Quanto às árvores existentes, além das Pseudo Tessugas, existem pinheiros-silvestres, cedros, castanheiros de alto fuste e talharia, carvalhos, abetos, entre outras.
Conselho Diretivo de Baldios considera uma mais-valia
O presidente do Conselho Diretivo de Baldios, José Bernardino Machado, reconheceu vantagens nesta distinção, não só em termos florestais mas também ambientais. “Teremos um plano de gestão que nos vai garantir o ordenamento, e regular toda a atividade. Iremos ter a possibilidade de nos candidatarmos a projetos comunitários em diversas áreas, nomeadamente arranjos de caminhos, aceiros, e para outras situações. Isto vai abranger cerca de 70 compartes e os proprietários de terrenos, sendo muito importante não só para a aldeia, mas também para o concelho e para o distrito. Esta iniciativa vai também preservar o ‘pulmão’ do concelho”.
A Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar está satisfeita com a escolha do concelho para acolher a “Mata Modelo”, considerando que será uma mais-valia ao nível da atratividade e, ao mesmo tempo, lembra todas as ações promotoras da reflorestação e preservação da floresta levada a cabo ao longo do ano pela AguiarFloresta.
De realçar que, o perímetro da Barroso/Padrela é dos mais importantes a nível nacional, nele existem algumas das maiores manchas florestais da região norte. Daí que todos os anos, os agentes de proteção civil incidam as suas atenções sobre esta área.
Nesta região PROF, destacam-se como áreas sensíveis do ponto de vista do risco de incêndio duas grandes zonas: uma zona central e de maior dimensão, que se estende pelos concelhos de Boticas, Chaves e Vila Pouca de Aguiar, enquadrada na sub-região homogénea do Tâmega; e a zona mais a sul, que passa pelos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Murça e Valpaços, situada no interior das sub-regiões homogéneas da Padrela e Tua, à qual estão associados os perímetros florestais das serras da Padrela, S. Domingos e Escarão e Santa Comba.





