A VTM acompanhou a equipa dos Bombeiros da Cruz Branca no local para perceber a sua utilidade na prevenção e em eventuais emergências.
Ao chegar, os bombeiros têm de fazer a verificação do material e do veículo de socorro e ficar atentos ao que se passa dentro do túnel. “Temos de ver se está tudo pronto para atuar. Depois ficamos na sala, atentos ao que acontece dentro do túnel, com a ajuda de câmaras. Se o tempo estiver bom, fazemos exercícios com a verificação do carro, das mangas e das jericas”, revela Ana Rita Nóbrega, chefe de equipa, acrescentando que, apesar de não fazer parte das suas funções, estão atentos às câmaras para presenciar tudo o que se passa no túnel. “É uma grande ajuda, porque a maior parte das ocorrências somos nós que visualizamos”. Por exemplo, “há um carro que parou e está a deitar fumo, nós tomamos a iniciativa de ir logo para dentro do túnel ajudar, mesmo antes da Infraestruturas de Portugal nos acionar”, no entanto, “informamos que vamos entrar, até porque eles são os nossos olhos quando vamos para dentro do túnel”.
A maior vantagem de ter ali uma equipa em permanência é a rápida resposta dos operacionais. “Grande parte das ocorrências são rapidamente resolvidas, porque estamos muito perto”, sublinha a chefe de equipa, adiantando que as ocorrências mais comuns são sobreaquecimento dos carros. “Alguns poderiam arder, mas a nossa atuação é rápida, pelo que acabamos por evitar que essas situações sejam mais complicadas”.
Ana Rita Nóbrega já assistiu a acidentes graves, mas, “felizmente, sem vítimas mortais”.
Neste turno de oito horas também estavam os bombeiros de 2ª Vítor Fernandes e Hugo Santos, que destacam a proximidade. “É uma função importante que torna a infraestrutura muito mais segura”, sustentou Vítor Fernandes.
MAIS OPERACIONAIS
Orlando Matos, comandante dos bombeiros da Cruz Branca, revelou que sempre defenderam uma equipa constituída por cinco operacionais e um veículo adaptado à atuação em túnel. “O risco de incêndio é o maior risco associado à segurança nos túneis, pelo que, desde o início, defendemos uma equipa de cinco elementos com um veículo com duas cabines, de forma a movimentar-se sem ter de inverter o sentido de marcha. E traria outra capacidade de atuação”.
Na altura, a associação humanitária sugeriu essas valências à IP, que “nunca seguiu as nossas sugestões. Tivemos de adaptar um veículo para facilitar a vida aos operacionais em caso de atuação dentro do túnel e tem sido muito útil ao trabalho que tem sido necessário fazer nas diversas atuações”, pormenorizou o comandante.
NOVO EDÍFICIO
Defendeu ainda a construção de um edifício de apoio aos bombeiros. “Era perfeitamente normal construir ali um espaço mais confortável para os bombeiros, que estariam mais próximos do veículo, que também ficaria devidamente protegido e ligado à corrente elétrica, porque há aparelhos que necessitam de estar carregados”.
Orlando Matos lamenta que haja pouca abertura para melhorar as condições dos operacionais que ali trabalham, “tanto da parte da IP como da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) para se avançar mais no serviço que ali é prestado”.
A nível de formação para atuar neste teatro de operações, o comandante referiu que, na altura, houve uma formação em Espanha para alguns elementos, mas depois não houve mais nada. “A Escola Nacional de Bombeiros está a ministrar formações na Ilha da Madeira, que tem muitos túneis. Eu gostaria muito que a IP e a ANEPC pudessem financiar a formação aos operacionais que trabalham no Túnel do Marão”.






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