Sexta-feira, 8 de Maio de 2026
Vila RealTúnel do Marão ajuda a reduzir custos operacionais das empresas

Túnel do Marão ajuda a reduzir custos operacionais das empresas

Não foram apenas os utilizadores particulares que sofreram um impacto positivo nas viagens inter-regionais. O impulso deu-se, também, entre as empresas, que puderam, desta forma, reduzir custo operacionais

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A abertura do Túnel do Marão trouxe mudanças significativas para o tecido empresarial da região, sobretudo ao nível da mobilidade, dos custos e da expansão de oportunidades. Empresas de transporte e serviços destacam ganhos claros face ao antigo traçado do Itinerário Principal 4 (IP4), marcado por dificuldades, sobretudo no inverno.

Pedro Barroco, da Auto Viação do Tâmega, recorda as dificuldades do passado, quando a ligação era feita essencialmente pelo IP4. “Estamos a falar de um corte superior a 20 quilómetros e de consumos muito mais elevados. Os nossos autocarros, naquela subida, podiam atingir médias de 30 litros ou mais aos 100km, e nos veículos mais antigos, ainda superior a isso”, explica. A isso juntava-se a imprevisibilidade do tempo e das condições da estrada, com nevoeiro, neve e trânsito pesado a condicionarem frequentemente as viagens.

Fundada a 19 de maio de 1944, a Auto Viação do Tâmega é uma das formas mais antigas de ligar passageiros entre destinos na região transmontana. A empresa começou por fazer a ligação de Vinhais a Chaves quando começou por transportar passageiros. Hoje, está presente em Chaves, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Vinhais, Boticas, Montalegre, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Ribeira de Pena e Mirandela, além de fazer serviços diários para Braga, Porto, Coimbra e Lisboa, por exemplo.
“Evolução clara”

Com o túnel, o cenário do passado alterou-se para uma empresa que transporta pessoas e com um peso grande de ligações de e para o litoral. “Há uma evolução clara, sobretudo ao nível do tempo e do desgaste dos veículos”, sublinha Pedro Barroco. Essa melhoria permitiu também à empresa alargar a sua área de atuação, com mais serviços fora da região, nomeadamente alugueres para municípios e entidades do litoral. “Hoje, fazemos ligações a Amarante, Penafiel, Guimarães ou Porto com muito mais facilidade. Isso trouxe oportunidades que antes não existiam”.

Apesar disso, o representante da empresa de transporte de passageiros admite que o impacto não é uniforme em toda a operação, uma vez que a empresa integra a rede nacional de expressos, com itinerários definidos. Ainda assim, considera que a infraestrutura foi decisiva para o desenvolvimento da região. “Trouxe uma ligação diferente e ajudou o interior a crescer, sem perder identidade”, que lhe é característica, destaca Pedro Barroco.

O representante da Auto Viação do Tâmega recorda que, também, a abertura de outras vias de comunicação são importantes para as atividades comerciais da região. “Fazemos muitas ligações usando principalmente a A7, que são ligações que vão para à zona de Guimarães e Braga, por exemplo”.

“A verdade é que, agora, o interior tem ligações não deve ter inveja do resto do país. Nesse particular, melhoramos”, destaca Pedro Barroco, acrescentando que todas as novas vias “facilitam muito o acesso ao resto do país e ao crescimento”.

O responsável da empresa assume que, neste momento, há oportunidades que se vão criando, também para outros protagonistas, destacando os serviços feitos por empresas que ligam a região diretamente ao aeroporto, por exemplo.

“As novas ligações vieram trazer vantagem, não só para nós, como para outros players, que vêm para esta região, mas isso é o que o crescimento global faz”, explica o responsável. “São essas oportunidades que nós antes não tínhamos”.

Transporte diário

Ainda no setor dos transportes, as vantagens são também evidentes para quem tem a seu cargo ligar doentes a unidades de saúde. Altino Alves, da Real Ambulâncias, não tem dúvidas sobre este aspeto. O túnel “compensa em tudo, tempo, combustível e desgaste dos veículos”, diz o responsável.

A empresa, implantada no mercado desde 1992, faz o transporte de doentes não urgentes para todo o país. Passou a utilizar exclusivamente o túnel, deixando de recorrer ao IP4, mesmo quando existiam portagens. “Antes era mais sinuoso, com muitas curvas, e no inverno era complicado, sobretudo com doentes”, explica Altino Alves.

O transporte de utentes para unidades hospitalares do litoral tornou-se mais rápido e seguro. “Agora é tudo mais tranquilo. Os doentes sentem-se mais seguros e as viagens são mais confortáveis”, afirma. A melhoria das acessibilidades terá também contribuído para uma maior mobilidade no acesso a cuidados de saúde, com mais exames e tratamentos a serem realizados fora da região, considera o responsável pela Real Ambulâncias.

“Quando vamos para Lisboa, em vez de irmos por Viseu utilizamos a A4”, destaca Altino Alves, acrescentando que a sua empresa faz o mesmo quando tem de transportar doentes para Guimarães ou Braga. E a passagem pelo Túnel do Marão acontece sempre mais do que uma vez por dia. “Há dias em que passamos duas, outros em que fazemos três viagens, depende”.

Altino Alves recorda ainda os constrangimentos frequentes do passado. “Havia muitos acidentes e, com neve, ficávamos muitas vezes parados. Era complicado, principalmente com doentes dentro da ambulância.” Hoje, essas situações são residuais, permitindo uma resposta mais eficaz e regular.

Para este empresário, a ligação com Bragança também ajudou às suas operações diárias. “Mesmo para Bragança, por exemplo, foi outra obra que ajudou imenso, que pelo IP4 era mais complicado. Em algumas zonas, com redução de faixas, se apanhássemos um camião ou dois mais devagar, a viagem era demorada”.

No balanço global, o Túnel do Marão é visto como um investimento estruturante, que reduziu assimetrias e aproximou o interior do litoral. Se por um lado trouxe maior concorrência, por outro abriu portas a novas oportunidades, tornando as empresas mais competitivas e os serviços mais eficientes.

Para quem trabalha na região, a conclusão é clara. A mobilidade deixou de ser um obstáculo após as ligações que durante anos Trás-os-Montes e o Alto Douro esperaram.


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