Hoje, ao assinalarmos os 10 anos do Túnel do Marão, não celebramos apenas uma obra de engenharia, mas sim o momento em que as Terras de Trás-os-Montes derrubaram a sua última grande barreira física com o litoral.
Enquanto Presidente da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, vejo nesta efeméride a oportunidade de refletir sobre o que mudou. Este túnel não serviu apenas para “furar a montanha”; ele foi o oxigénio que permitiu à nossa região respirar com outra confiança e afirmar-se como parte integrante da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, um reconhecimento da UNESCO que abrange os nossos nove concelhos, hoje potenciados por uma mobilidade que nos coloca no centro das grandes rotas de turismo sustentável da Europa.
O impacto na mobilidade foi revolucionário. Esta infraestrutura tornou-nos mais competitivos e aproximou-nos dos portos e mercados internacionais. Da Albufeira do Azibo de Macedo de Cavaleiros às Arribas do Douro e Lagos do Sabor em Alfândega da Fé, onde a natureza se funde com o lazer náutico; à imponência do Castelo e Cidadela de Bragança, testemunhos vivos da nossa história medieval; à força das tradições, personificada nos Pauliteiros de Miranda, nos Caretos de Podence ou nos Diabos de Vinhais; ao património da icónica Ponte Velha de Mirandela, aos vestígios templários do Castelo de Mogadouro; ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção em Vila Flor, o maior do género em Trás-os-Montes; ao Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA) em Vimioso; ao Parque Natural de Montesinho e ao Parque Biológico de Vinhais — esta harmoniosa simbiose das terras quente e fria viu o acesso facilitado, permitindo que o turismo passasse a ser um motor económico constante.
Se antes as montanhas nos protegiam do mundo, mas também nos escondiam dele, atravessar o Marão deixou de ser um desafio à sorte para ser um convite à descoberta. Hoje, o túnel é a porta aberta para que todos sintam o “Reino Maravilhoso” de Miguel Torga. O Marão já não é uma parede; é uma passagem. E nestes 10 anos, provámos que, quando nos dão os caminhos, sabemos trilhá-los com sucesso.
Contudo, este aniversário é também um lembrete: a mobilidade nas Terras de Trás-os-Montes não se esgota no túnel. É fundamental que esta acessibilidade se ramifique com eficácia, garantindo que o progresso chega a cada aldeia. Celebrar esta década é reconhecer que o Túnel do Marão nos devolveu o tempo. Num mundo que corre sem fôlego, o Nordeste Transmontano surge como o destino onde o tempo é sinónimo de qualidade de vida.
O nosso grande desafio é transformar esta porta aberta num convite permanente à fixação de talento e investimento. Somos um território de tecnologia e tradição, de segurança e audácia. Ao olharmos para a próxima década, o compromisso é claro: garantir que o progresso que entrou pelo túnel consolide Trás-os-Montes não como uma periferia, mas como o centro de um novo futuro mais humano, sustentável e pleno de sentido.





