A Flavescência Dourada é uma das maiores ameaças aos vinhedos da região do Douro, cujas consequências podem mesmo ultrapassar os efeitos terríveis da praga filoxérica. Os receios adensam-se, pela presença do terrível insecto, na região.
Já em 2006, foi detectada a doença em algumas videiras de Trás-os-Montes e de Entre Douro e Minho, podendo levar à morte da videira, em, apenas, três anos.
A Flavescência Dourada já foi notada, em 2007, na região dos Vinhos Verdes, uma realidade que está a tirar o sono aos agricultores da mais antiga Região Demarcada do Mund, que ainda não esqueceram a filoxera. Corre a informação de que a doença já está na região, sendo que um dos insectos, enviados, para análise, aos laboratórios do Ministério da Agricultura, possuía o vírus que provoca a Flavescência Dourada.
O Presidente da União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro, José Manuel Santos, manifestou, ao Nosso Jornal, a sua preocupação por uma eventual praga: “Até agora, ainda não tenho na minha posse qualquer elemento alarmante sobre esta situação. Contudo, estou a acompanhar os acontecimentos, procurando estar, passo a passo, dentro daquilo que poderá ser feito, caso haja alastramento da doença, ao Douro”. Este dirigente mostra–se “apreensivo e céptico”, se o temível insecto aparecer na região. “Será o fim de tudo e poderá ameaçar, mesmo, a sobrevivência do sector e dos milhares de viticultores. Ou seja, pode representar uma catástrofe, de consequências gravíssimas”. A ADVID/Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense vem a terreiro também considerar que a Flavescência Dourada pode ser preocupante, para as regiões vitícolas do país, mormente do Douro e do Minho.
Como se sabe, o concelho que faz “fronteira” com a região Demarcada dos Vinhos Verdes e integrado na Região Demarcada do Douro é o de Mesão Frio. Segundo apurámos, junto da Adega Cooperativa local, para já, nos seus vinhedos, não foram notados quaisquer indícios da temida maleita que é caracterizada pela descoloração das folhas, com enrolamento para a página inferior, acompanhada de amarelecimento, nas castas brancas, e vermelha, nas castas tintas. As folhas tornam-se duras e quebradiças e o murcho dos bagos pode acontecer.
Não havendo ainda cura para esta doença e poucas soluções preventivas, as instituições avançam, apenas, com medidas pós-doença, nomeadamente o arranque sistemático das cepas doentes e sua queima, a desvitalização e arranque das vinhas abandonadas e sua queima, eliminação, pelo fogo, da lenha de poda, para destruição dos ovos postos durante o Verão e a utilização de tratamento insecticida, contra a “Cicadela vectora”. Para tranquilizar os viticultores, o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (MADRP) assegurou que as medidas fitossanitárias definidas para o combate à Flavescência Dourada da vinha têm sido tomadas, em todo o país, com a colocação de armadilhas, para captura do insecto, em vários pontos da Região Norte”.
Jmcardoso




