O município de Sabrosa escolheu e bem, a aldeia vinhateira de Provezende para a instalação desta unidade que ficará integrada na rede polinucleada do Museu do Douro. Será instalada num espaço situado no interior da aldeia, junto à casa onde viveu e morreu o pioneiro que travou a “maldição” que se abateu sobre vinhedos durienses, o que só por si valoriza ainda mais o “sítio”.
O local, onde ficará o Museu, possui vários lagares tradicionais de perfil raríssimo no Douro construídos no século XVIII e que mantêm intacta a sua estrutura inicial. Além de documentação, fotografias e apetrechos, os visitantes poderão conhecer vestígios de um sistema de aquecimento para precipitar a fermentação que tem despertado a maior curiosidade de vários especialistas. Estes sistemas rareiam e os que existem datam já do século XIX.
O presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Marques, considera que “o Museu da Filoxera, em Provezende, é um acto de justiça para com a figura do grande investigador Joaquim Pinheiro de Azevedo e, ao mesmo tempo, uma homenagem a várias gerações de viticultores durienses que se debateram com esta doença”. “Esta iniciativa faz parte da estratégia da Câmara Municipal de Sabrosa, apostada em valorizar o vasto património da aldeia vinhateira de Provezende e criar, cada vez mais, atractividade turística, cujo reflexo se possa sentir no seu desenvolvimento económico”, acrescentou. O autarca salientou ainda que “a visita ao pólo museológico obrigará os visitantes a percorrerem a maior parte do núcleo histórico, agora reabilitado”. Os trabalhos de instalação do Museu da Filoxera deverão arrancar já este ano.
Joaquim Pinheiro de Azevedo foi um dos maiores proprietários da região e promoveu a introdução no Douro de uma variedade de videira americana para uso como porta-enxertos. Foi assim, o verdadeiro pioneiro em Portugal da enxertia de castas tradicionais portuguesas com porta-enxertos americanos, travando-se assim a devastação das vinhas durienses pela filoxera. O processo foi rapidamente seguido em outras regiões vinhateiras portuguesas, o que deu relevo nacional à sua acção.
Refira-se que, a doença da filoxera apareceu pela primeira vez em Portugal em 1863, nas vinhas do concelho de Sabrosa.





