As populações de duas aldeias do concelho de Peso da Régua nunca viram correr, nas suas torneiras, água da rede pública. Tratam da sua higiene utilizando alguidares e baldes. Por isso, não se conformam, estando dispostos a protestar e a tomar medidas para que a situação, indigna do séc. XXI, se modifique.
Os habitantes de Seara e Escávedas, duas aldeias do concelho de Peso da Régua, estão revoltados, por esperarem tantos anos pela água ao domicílio e pela rede de esgotos. “Andamos de caneco com água à cabeça e temos de tratar da nossa higiene num balde” – contou Edite Alves.
São cerca de duzentos habitantes e de 140 fogos que ainda não possuem água, nem são contemplados com rede de esgotos. Cansados de esperar pela instalação destes equipamentos básicos, os populares estão à beira de um ataque de nervos e ameaçam, “fazer alguma coisa”, para se “lembrarem de nós!”.
“Estamos no século XXI e parece que vivemos na pré- -história!” – desabafou Pedro Florinda, morador na Seara.
“Isto é uma vergonha! No tempo das eleições, todos têm prometido a água em casa, depois é o que se vê” – acrescentou.
Contactada a empresa “Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro”, esta, através do seu Presidente, Alexandre Chaves, garantiu que “até final do ano, a água proveniente da Barragem do rio Pinhão chegará a estas duas aldeias”.
Por outro lado, o Presidente da Junta de Freguesia de Vilarinho dos Freires, no que se refere a Escávedas, assegurou que a rede de esgotos já está instalada, devendo estar funcional até final do ano.
Quanto aos problemas de água, reconheceu, também, “dificuldades em Alvações do Tanha e outros lugares da freguesia”.
Jmcardoso





