O debate entre candidatos à Câmara de Vila Pouca de Aguiar aqueceu na reta final, quando veio à baila a parceria público-privada Inovaguiar, criada para construção do Complexo Desportivo e outras infraestruturas. É detida em 49% pelo município e a empresa ABB tem 51%. Artigo exclusivo PREMIUM
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Os adversários quiseram que a candidata do PSD e atual presidente da câmara, esclarecesse se havia mais do que uma ação judicial e pedido de indeminização por parte da ABB, que reclama 3 milhões de euros de trabalhos a mais. “É um processo judicial que está a correr”, confirmou Ana Rita Dias. José Diegas, candidato do MAI, insistiu e perguntou se “não há mais nenhuma verba reclamada pela ABB” e a oponente disse estranhar o pedido de informações “de quem até há pouco tempo estava por dentro do processo”.
Também Borges Machado, candidato do PS, questionou a autarca, que referiu que “há a intenção”. Perante a desistência de obras previstas, “a ABB referiu que poderia colocar uma ação sobre os lucros cessantes, mas essa ação não existe”.
O candidato, apoiado pelo PS, diz o custo inicial do complexo e o pavilhão de Pedras era de 6 milhões de euros, e “a câmara já pagou 9,5 milhões de euros e vamos ter de gastar, até 2036, mais cerca de 9 milhões”.
Perante a insistência no tema, a autarca sugeriu que “há aí uma coligação entre os dois”.
Por outro lado, José Diegas criticou que “com tantos milhões” em dívida “ainda se apresentem obras megalómanas”, referindo-se à proposta de um complexo com parque aquático.
Pedras Salgadas
O tema surgiu após a candidata da CDU criticar o acordo com a Super Bock Group, que acusa de não cumprir o estipulado, na requalificação de estruturas do parque termal e do Hotel Universal. A empresa “não cumpriu o acordo, fez o grande investimento, em Vidago, no hotel, e nas Pedras limitou-se a engarrafar. A câmara tem de se impor”, apontou Sónia Macedo, criticando também a falta de limpeza do rio Avelames e a degradação da sua envolvente.
Também José Diegas quer promover a requalificação da zona ribeirinha em Pedras Salgadas, e da envolvente da antiga estação. O candidato destaca que “o balneário do Cardal está há mais de um ano concluído e continua fechado”.
Borges Machado diz que “Pedras Salgadas é mais um exemplo de que o concelho está parado”. Critica investimentos que não avançam, como no rio. “Das despesas de investimento para 2024 foram executadas cerca de 37%”, acusou.
Economia
José Diegas criticou a gestão dos últimos anos e para atrair investimento quer criar um gabinete de apoio ao investidor, que “ande atrás das empresas”, e estabelecer Projetos de Interesse Municipal, para empresas “fortes que tragam emprego e dinâmica”. Quer ampliar a zona industrial de Sabroso, consolidar a de Telões, e criar uma outra na zona do Bragado, para empresas de transformação do granito. Garante ainda que vai “reivindicar o nó de acesso à A 24” na Falperra “sempre que possa”.
No entanto, Ana Rita Dias diz que essa zona industrial já está criada, e lá estão instaladas algumas empresas.
Para Borges Machado, o concelho “está num marasmo”, referindo que nos últimos 12 anos “a riqueza das nossas empresas diminuiu 28%, e desde 2011 há uma perda de 475 empregos. É muito para um concelho como o nosso”, afirmou, defendendo “baixar a derrama”.
O candidato criticou o processo de atribuição de lotes nas zonas industriais, indicando que “têm dono, mas não está nenhuma empresa instalada”. Defende ainda que deveria ser revitalizada a Feira do Granito, que “seja uma referência”.
Em sentido contrário, Ana Rita Dias sustenta que o concelho cresceu “pela fixação de mais empresas no concelho”, como na zona industrial que foi alargada e “já há empresas em lista de espera”. Pretende investir na “melhoria das zonas industriais”, criar uma unidade de marketing territorial, “uma feira empresarial”, e “um centro de investigação para a valorização do granito”.
Sónia Macedo defende mais apoio à agricultura. “O município deve agir e apoiar a agricultura familiar”, propondo que incentive a aquisição da produção local “pelas escolas, instituições e comércio local”.
População
Apoiar a recuperação de habitações nas aldeias e atribuir apoio à natalidade são medidas do candidato do PS para fixar população.
A cabeça de lista do PSD também quer apostar na requalificação de casas devolutas para renda acessível, e “findo um período de tempo as pessoas poderão adquiri-las”, e ter lotes a preços controlados.
A “escassa habitação, a preços exorbitantes” é uma preocupação da candidata da CDU, que propõe “a construção de novos edifícios em terrenos camarários”, criação de creches e “transportes que funcionem”.
Para o candidato independente, “a câmara só por si não consegue resolver a perda populacional”, são necessárias “políticas públicas”.
Saúde
Outra preocupação dos candidatos é a saúde. O PSD propõe a criação de um cartão de saúde para idosos. Sobre a fixação de médicos, Ana Rita Dias considera que ultrapassa o município, pois eventuais apoios por parte da câmara “não são legais, segundo um parecer pedido à CCDR-N”.
Mas Borges Machado quer seguir o exemplo de outras autarquias que aplicaram incentivos e “ajudar com o que for possível à fixação de médicos”. Por outro lado, critica o custo do cartão de saúde “incomportável para o erário público”.
José Diegas considera que deve ser criada uma Unidade de Saúde Familiar, e sustenta que o MAI estará “muito mais à vontade para reivindicar”.
A candidata da CDU lamenta a perda de serviços no centro de saúde. “Devia reivindicar-se novamente a urgência, porque qualquer coisa somos reencaminhados para o hospital distrital, que está sobrecarregado”, sublinhou, defendendo o regresso dos Cuidados Paliativos.
O atraso nas obras de requalificação do Cineteatro, da solução para o alargamento ou criação de um novo cemitério, foram outros dos temas que estiveram em debate.
Veja o debate em vídeo: www.bit.ly/debate-vila-pouca



