Sábado, 18 de Julho de 2026
Adriano Sousa
Adriano Sousa
Vereador da Câmara Municipal de Vila Real

Em que ficamos?

Num recente artigo n’AVTM, o líder do PSD local, em reação a uma reflexão do signatário em “As cidades e as férias escolares” sobre o teste de criação de um perímetro livre de carros em torno das escolas, em curso nalgumas cidades, foi perentório em rejeitá-la com um “Não, obrigado!”, sem ficarmos a saber a sua opinião sobre a bondade da medida ou sobre os benefícios para a saúde das crianças.

Aproveitou ainda para acusar o executivo socialista de “fazer guerra à utilização do automóvel”, ignorando o que temos afirmado: que o automóvel é, e continuará a ser, um elo essencial na cadeia da mobilidade, mas que urge regular o seu uso em benefício de uma mobilidade mais sustentável, inclusiva e amiga das pessoas.

Também soubemos que o PSD é contra a política de mobilidade urbana que vem sendo implementada desde 2013 e sufragada várias vezes pelos vila-realenses.

Mas continuamos sem conhecer a sua visão, a sua estratégia e as suas propostas.

Quando afirma que é contra “o estreitamento das vias rodoviárias, o sentido único em artérias importantes da cidade e, na maioria dos casos, a eliminação de estacionamento”, mas defende a criação de “mais ciclovias, condições de segurança dos utilizadores da micromobilidade e um transporte público com vias próprias de circulação” mais não faz do que um exercício de quadratura do círculo.

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Dizer que “justificar as filas de trânsito pelo facto de haver mais automóveis a circular é uma falácia facilmente desmontável”, é não admitir os problemas do congestionamento, da poluição do ar, do ruído, da sinistralidade rodoviária e do uso indevido do espaço destinado aos peões, decorrentes do aumento da taxa de motorização de 185 para 530 veículos/1000 habitantes, havida entre 1990 e 2019.

Mas, na sua ótica, tudo se resolve com slogans como “planeamento, visão estratégica e adaptação à realidade existente”. Termos bonitos, mas que o vento leva quando dissociados de conteúdo e de soluções concretas e exequíveis.

Por estranho que pareça, o PEDU-VR mereceu o voto favorável do PSD, afirmando que “contém um conjunto de propostas de intervenção ao nível da mobilidade sustentável, reabilitação urbana e requalificação de espaços…”, que “o PSD sempre defendeu e defende um desenvolvimento urbano integrador, inclusivo e sustentável, nomeadamente ao nível da mobilidade e reabilitação urbana.”

E os estudos sobre a organização da rede rodoviária da cidade de Vila Real e sobre os princípios de organização e de gestão do sistema de estacionamentos públicos em Vila Real mereceram também a aprovação do PSD.

Em resposta à consistência e à coerência da nossa visão e da nossa estratégia, o PSD retribui com a sua habitual postura “zig-zag” sempre envolta numa enorme teia de contradições.

É caso para dizer, decidam-se!

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