Quinta-feira, 23 de Abril de 2026

“Encaro o futebol como uma arte e uma atividade de beleza”

António da Silva Lopes, mais conhecido por António Rendeiro, passou pelo FC do Porto e SC de Braga, mas garante que o Grupo Desportivo de Chaves é o seu clube de coração.

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Até porque sublinha que “é diferente” jogar pelo clube local. “Há sempre alguma coisa diferente, porque quem joga pelo clube da terra vibra muito mais com os sucessos e sofre muito mais com os fracassos”.

Nascido um ano antes da criação do Desportivo, começou no futebol através das escolas de António Feliciano, “uma figura grande do futebol nacional”, que criou a escola de formação em Chaves.

Não demorou muito até ser sido chamado para integrar o FC Porto, aos 15 anos, onde foi campeão nacional de juniores e foi chamado à seleção nacional. Passou depois para a equipa sénior, comandado por Pedroto, e esteve ainda ao serviço do Braga. Rendeiro acabaria por regressar ao Chaves, após cumprir o serviço militar, para conciliar a vida profissional e familiar com o futebol, que lhe “dava muito prazer” e que “encarava como uma arte”. Contudo tinha decidido que não queria uma carreira neste desporto. “Não me revia como profissional de futebol e vim para o Chaves, apesar de vários convites de clubes da I Liga”.

O ex-avançado jogou ao lado de Pavão, Lisboa e Melo na década de 1970. Encontrou o Chaves na 3.ª divisão e acabaria por chegar aos campeonatos profissionais, com uma “equipa reformadora e que fez a transição” de “um Desportivo de iniciação, nos anos 50 e 60, em que sai do amadorismo e entra depois para a elite nacional, a disputada I Liga nacional”, em meados dos anos 80. Na década em que jogou pelo emblema flaviense, capitaneou, por muitos anos, o clube que “tinha outro tipo de ambição” e a equipa começou a profissionalizar-se, com a entrada em cena de treinadores adjuntos e preparadores físicos, por exemplo.

Estava no clube quando se deu o caso Lourosa, em 1973, em que devido a uma questão disciplinar, o Chaves, que estava pronto a subir, ficou impedido de o fazer, tendo o Lourosa subido. A decisão causou um grande tumulto na cidade. “Isto foi antes do 25 de Abril, gerou um levantamento das pessoas, que reagiram mal e de forma agressiva, foi preciso vir a polícia de fora para controlar a multidão”, que foi para a rua contestar a “injustiça atroz”. A decisão acabaria revertida, depois de recursos à justiça, e os Valentes Transmontanos subiram mesmo à segunda. “Nós depois consolidamos a posição na 2.ª divisão e fizemos jogos extraordinários”.

Rendeiro, que é atualmente o sócio número 10 do clube, destaca a presença dos flavienses no escalão maior do futebol por um total de 18 épocas e diz que o clube “não é um “outsider”, uma equipa que chega lá e vai embora”. Como motivos para a trajetória de sucesso de uma equipa do interior aponta a exigência do público, afirmando que “em Chaves a população gosta de futebol e, acima de tudo, de bom futebol”, e também a união de dois clubes que congregou a massa adepta. “Nas terras do interior, mais debilitadas, e com níveis de desenvolvimento muito distantes do litoral, se dividem o projeto, perdem o foco e a coesão”, considera.

Também frisa a importância dos dirigentes desportivos, “que nunca são evocados, nem lembrados”, destacando da sua época como jogador Júlio Montalvão Machado e o Emílio Macedo e Sousa, e nestes dois nomes homenageia todos quantos estiveram à frente do clube. “É muito importante que a gente Chaves perceba que para haver clube, para haver resultados e competição, tem de haver alguém a dirigir”, considera.

Mesmo estando a atravessar um período menos bom, está convencido que, “rapidamente, o Chaves vai para o seu lugar, que é, na minha opinião, na I Liga

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