Em tom de brincadeira, o ex-deputado do PS e antigo secretário de Estado da Administração Interna, disse que a única coisa que aceita é “ser ministro da Ordem Terceira de São Francisco”.
Depois de 40 anos ligados ao partido, a hora de dizer adeus foi “muito natural”, admitindo “um grande desprendimento pelas coisas da política”.
Ascenso Simões diz ter “boas lembranças, mas não saudades”, lembrando que “a minha vida política começou por volta dos 15 anos”. “Não queria terminar a minha vida profissional como político”, acrescenta.
Sobre as listas pelo círculo de Vila Real, optou por não comentar a primeira escolha de Pedro Nuno Santos, que recaiu sobre Álvaro Beleza, por “não estar por dentro do assunto”, aproveitando para lamentar que, “neste momento, dá a ideia de que dentro do PS existe uma certa tentativa de separar o que demorou muito tempo a juntar”.
Quanto à lista do PSD, “vai conferir ao parlamento uma segunda câmara municipal”, defendendo que “quando os presidentes de câmara passam diretamente para a assembleia há um foco muito grande nas questões locais e perde-se a leitura universal que o parlamento deve ter”.
Ascenso Simões aproveitou, assim, para dar alguns “conselhos” a quem for eleito.
“Na minha perspetiva, para ser um bom deputado, é preciso olhar para o seu território e incorporá-lo naquilo que são os objetivos do país”, refere, explicando que “se ele for para a assembleia falar do fontanário, ninguém lhe liga. Mas se falar do fontanário, integrando-o no sistema de abastecimento do Norte, que está ligado à política da água e esta está ligada aos objetivos da União Europeia, este deputado vai conseguir transformar o seu fontanário num elemento da política nacional”.
No “Contrasenso”, Ascenso Simões falou ainda da sua amizade com José Sócrates e Pedro Passos Coelho.



