Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Nova variante à A24 vai custar mais de 7 milhões de euros

Com o processo do IC26 na gaveta há anos e sem perspetivas de futuro, o executivo municipal avança para a construção de uma variante exterior ao núcleo urbano para tirar o trânsito da Estrada Nacional 208. O presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, fala ainda dos investimentos que estão a ser feitos no concelho, referindo que há uma grande empresa que vai apostar na vinificação e no enoturismo, num projeto que “será superior a 10 milhões de euros

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VTM – Quais são motores da economia do concelho? Vinho e turismo?

José Manuel Gonçalves – Sim, o vinho e o turismo, mas continuamos a ser um concelho de serviços. Somos também fortes na hotelaria e na restauração. Acabamos de ser uma porta de entrada para todos aqueles que querem visitar a região, uma vez que confluem aqui as três vias de comunicação, rodoviária, ferroviária e fluvial.

A cidade tem um problema no trânsito. A concretização do Itinerário Complementar 26 poderia resolver o problema, mas não saiu do papel. Tem alguma solução?

Achávamos que o IC26 iria ser uma realidade, mas quando se cometeu o erro histórico de se construir o Túnel do Marão, vimos que não iriam pela solução de construir a A4 mais a sul para passar por esta zona, era difícil concretizar essa via no futuro. E quando o próprio quadro comunitário não traz investimento para as infraestruturas rodoviárias mais difícil se torna concretizar essa ambição. Já deixamos essa solução e apostamos numa solução mais prática, que contempla a construção de uma variante que nos retire esse trânsito da cidade, numa ligação entre a zona do Rodo (a nossa zona industrial e comercial) até às portas da A24, que vai passar junto do tribunal e das piscinas e vai dar ao final da Avenida Dr. Manuel de Arriaga, perto da rotunda.

Em que fase está?

Neste momento, está a decorrer o Estudo de Impacte Ambiental, assim como o estudo de tráfego, num investimento na ordem dos sete milhões.

Quando estará no terreno?

Ainda não sei. É um projeto complexo, porque exige muitos pareceres, devido a estarmos inseridos no Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial. No entanto, tudo farei para que o processo ande o mais rápido possível. É uma via estruturante que irá aliviar a pressão do trânsito do centro da cidade.

Peso da Régua não tem uma zona industrial. Poderá vir a ter?

Não tem condições físicas para ter uma zona industrial. Estando localizada num vale, a zona do Rodo será a única a ter apetência de instalar empresas. E acredito que a futura variante trará mais investimento para aquela zona da cidade. Em breve, vamos ter lá um investimento da Gran Cruz superior a 10 milhões de euros, que irá construir uma unidade de vinificação e também uma unidade de enoturismo, que trará maior dinâmica económica ao concelho. O projeto está em fase de licenciamento.

Como está o processo de eletrificação da linha do Douro?

Estamos a articular a apresentação pública do projeto com o ministro das Infraestruturas e com a ministra da Coesão. O processo está fechado e em setembro será público, apenas preso por pormenores. As indicações que tenho é que, nos próximos dias, será lançado o concurso para execução do projeto entre a Régua e o Pocinho. Espero que não fique pelo Pocinho, mas que vá já até Barca D’Alva. A eletrificação entre Marco de Canaveses e a Régua está para breve o lançamento da empreitada.

Mas haverá reabertura da linha até à fronteira?

Os espanhóis estão à espera de saber as verdadeiras intenções de levar a linha eletrificada até Barca D’Alva. Primeiro teremos de ter passos mais consolidados e práticos para chegar lá. E acredito que se isso acontecer, eles também vão perceber que têm aqui uma oportunidade.

O vinho é um setor muito importante para o concelho. Como poderá ser criado mais valor para os que continuam a apostar nesta área?

O vinho será sempre a mola real do concelho e desta região. Temos de pensar no vinho como um elemento de sustentabilidade do território. Se não conseguirmos valorizar o vinho, todas as estratégias que o território possa ter, caem como um baralho de cartas, se não houver essa sustentabilidade. Isso é algo que me preocupa, porque temos de criar condições para quem trabalha na vinha e no vinho, para termos sustentabilidade no futuro. Durante muitos anos, este território foi criado com sangue, suor e lágrimas. E é nossa obrigação criar mecanismos que deem sustentabilidade ao vinho, que pode ser alicerçado com o turismo.

Para que o setor seja sustentável, a Casa do Douro (CD) é fundamental?

É determinante, sempre o foi e será no futuro. Isto porque somos uma região que tem uma regulamentação muito própria. Por isso, temos de ter alguém que represente os cerca de 20 mil viticultores, em que muitos deles têm pequenas parcelas, das quais tiram um pequeno rendimento. Se não conseguirmos motivá-los para continuarem, vamos ter muitas vinhas a monte, em que pode estar em risco o património da humanidade. Defendo que a CD terá de ser sempre uma instituição de natureza pública e de inscrição obrigatória, para ter a legitimidade de representar estes 20 mil viticultores. É a defesa da classe que mais arrisca, que são aqueles que durante um ano cultivam a vinha e só sabem no final do ano o quantitativo de benefício que vão ter e se vão vender as uvas.

Será possível voltar a ter uma Casa do Douro forte?

A CD tem dívida, mas tem também património, que paga essa dívida e ainda fica com o remanescente, que vai permitir termos uma associação forte. Muitas vezes, o problema é o dinheiro, aqui apenas é a regulamentação política da associação. O que esperamos deste Governo e deste Parlamento é que assuma, de uma vez por todas, que a CD seja uma associação que represente os viticultores. Por isso, espero que o processo avance ainda este ano.

Esse é o modelo que melhor serve os viticultores? Porquê?

A inscrição obrigatória é para a CD ter uma legitimidade acrescida. Se for de inscrição facultativa nem todos poderão estar e os pequenos ficarão à margem do negócio. Não quero que seja um peso acrescido em taxas para os viticultores, mas que quem os represente, tenha legitimidade efetiva para os representar, tal como aconteceu no passado. Este é o melhor caminho.

O Douro será a Capital Europeia do Vinho em 2023. O que representa esta conquista para a região?

Durante anos levamos o vinho ao mundo, hoje o Douro abre-se ao mundo e queremos que o mundo venha ao Douro ver o vinho. É um momento para nos podermos qualificar mais para receber as pessoas e para melhorar o nosso conhecimento sobre o vinho, sobre a história e sobre a região. É ainda uma oportunidade para vender bem o nosso produto, porque uma garrafa de vinho do Douro não é só de vinho, como é em outras regiões do mundo, é uma garrafa que tem uma história, um passado, um legado, em que temos de criar esse valor acrescentado para que o preço do vinho cresça e dê melhores condições aos viticultores.

Um dos balneários das Caldas do Moledo está a ser requalificado. Quando estará pronto a funcionar?

Está em obras e esperamos que no início do próximo ano o primeiro balneário entre em funcionamento. Já reunidos com a entidade do Turismo do Porto e Norte, que é nosso parceiro, para avançarmos com a possibilidade de reabilitar outro balneário termal. No entanto, temos de pensar num modelo, que neste momento ainda não está consolidado, para criarmos ali uma concessão de todo o espaço hoteleiro. Há interessados em investir na recuperação e exploração do espaço. O processo está a andar e o que esperamos é criar um equipamento que contribua para o turismo e para o desenvolvimento económico deste território, de forma a fixar gente e a criar emprego.

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