Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Eólicas “pagam” para a sobrevivência do Lobo Ibérico

A energia do vento vai dar dividendos à criação de habitats naturais, para a preservação do lobo. Por cada megawatt produzido, três empresas ligadas à exploração eólica estão a contribuir, com financiamentos, para a recuperação e preservação do lobo ibérico e dos seus habitats naturais. Uma iniciativa inédita, em Portugal, que está aberta a outros […]

A energia do vento vai dar dividendos à criação de habitats naturais, para a preservação do lobo. Por cada megawatt produzido, três empresas ligadas à exploração eólica estão a contribuir, com financiamentos, para a recuperação e preservação do lobo ibérico e dos seus habitats naturais. Uma iniciativa inédita, em Portugal, que está aberta a outros grupos com empreendimentos eólicos, no país.

 

“Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico nas Serras da Arada, Freita e Montemuro”, assim se denomina esta agremiação, cujas empresas possuem parques eólicos, nos relevos de Montemuro (Lamego, Cinfães, Resende, Castro Daire), Freita e Arada. O objectivo principal passa por “apoiar ou desenvolver projectos, na área da Conservação da Natureza, em especial na gestão do habitat do lobo ibérico”.

A sua constituição resultou de uma das medidas exigidas pelo Instituto de Conservação da Natureza, ICN, às firmas que estão a fazer investimentos, neste sector das energias renováveis. Os sócios fundadores desta associação, criada em 4 de Abril de 2006, são a “Eólica do Montemuro S.A”,”Eólica da Cabreira, S.A.”, “Eólica da Arada, S.A.-Empreendimentos eólicos da Serra da Arada”.

Esta associação é bem vista pelo Director do Parque Natural do Alvão, Henrique Pereira.

”O Parque Natural do Alvão também tem a sua parte de responsabilidade neste projecto, enquanto membro do ICN. Uma das questões que nos preocupa muito é a recuperação do habitat do lobo, na Serra de Montemuro, pelo facto de o número de alcateias que existem a sul do rio Douro ser reduzido e o receio que temos em que, se nada for feito, em termos de habitat, as mesmas possam correr sérios perigos de extinção”.

De acordo com este responsável, “o surgimento desta agremiação resulta de uma das medidas exigidas pelo ICN às empresas que estão a fazer investimentos nos parques eólicos. Assim, por cada megawatt instalado, tem de ser atribuída uma verba que permita financiar projectos de recuperação do habitat do lobo”.

Apurámos que, este mês, a Associação vai reunir com o ICN e fazer uma análise dos projectos apresentados. As Juntas de Freguesia, Associações ligadas à área do Ambiente ou as Comissões de Baldios são agentes que podem apresentar iniciativas que passam por ajudar o lobo a ter auto-suficiência, do ponto de vista alimentar” – disse Henrique Pereira. Assim, poderão ser financiados projectos que passarão pelas reflorestações naturais das serras, nomeadamente pela introdução de espécies de folha caduca, como carvalhos, sobreiros e outras árvores desse género. “Se, um dia, não for recuperado este equilíbrio, a espécie estará, seriamente, ameaçada” – avisou Henrique Pereira.

Soubemos que serão promovidos, de igual modo, projectos para o repovoamento equilibrado de espécies de que o lobo se alimenta, nomeadamente veados e corços. Refira-se que vários projectos podem já ser implementados este ano.

Esta Associação de empresas eólicas tem, ainda, como objecto, colaborar ou filiar- -se noutros organismos nacionais ou internacionais, no âmbito da conservação da espécie, e organizar seminários, colóquios, conferências, bem como instituir prémios ou distinções, para galardoar trabalhos científicos; e apoiar ou editar publicações. Todas as receitas da associação são destinadas a um “fundo de conservação do habitat do lobo ibérico”, para apoiar as actividades-objecto da instituição.

Sublinhe-se que o interesse do Parque Natural do Alvão, neste projecto, vem na sequência de outras iniciativas em que a preservação desta espécie está presente, e o do ICN, nomeadamente no pagamento de indemnizações aos lesados pelos prejuízos do lobo.

 

Jmcardoso

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