Sábado, 6 de Junho de 2026
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Erro na localização do doente pode ter roubado a vida a um idoso

É um “filme” que se repete, na mesma “tela”. Uma família de acolhimento, em Canelas do Douro, não se conforma com o facto de um pedido feito para o 112 “por volta das 2.20 horas” de Quarta-feira ter sido correspondido, apenas, “por volta das 3.50 horas”. A dor e a revolta desta família assenta no […]

É um “filme” que se repete, na mesma “tela”. Uma família de acolhimento, em Canelas do Douro, não se conforma com o facto de um pedido feito para o 112 “por volta das 2.20 horas” de Quarta-feira ter sido correspondido, apenas, “por volta das 3.50 horas”.

A dor e a revolta desta família assenta no facto de, neste espaço de tempo, ter morrido um homem, de 88 anos, que estava à sua guarda, alegadamente por “dificuldades respiratórias”. Tudo isto quando o local de estacionamento da SIV do Hospital D. Luís I, em Peso da Régua, dista, de Canelas do Douro, cerca de 10 quilómetros.

Isabel Maria Balsa, de 43 anos, residente na Rua do Vergado, Canelas do Douro e responsável, há cinco meses, pelo acolhimento de Álvaro Monteiro, o idoso falecido, era a voz da revolta: “Filhos da mãe, isto não se faz! Se o doente fosse logo socorrido, não morreria nas minhas mãos! Já viu o que é esperar quase duas horas por uma ambulância, quando esta está a cerca de 10 quilómetros? E depois não querem que uma pessoa fale!”.

Tudo começou, nessa noite, quando o idoso a chamou, pedindo água e dizendo que não conseguia respirar.

“Liguei logo para o INEM, por volta das 2.20 horas, dei indicações do que era e disse que a casa era no início de Canelas e que tinha as luzes todas acesas, para eles a identificarem. Corri a casa da minha irmã, para que ficasse na rua, para dar sinal à ambulância. Uma hora depois, voltei a ligar, a saber o porquê da demora. Puseram-me em contacto com a ambulância (SIV) e disseram-me que estavam perdidos, que não conheciam Canelas e que estavam com a viatura trancada, numa rua sem saída, de tal forma que só no dia seguinte, com ajuda de um tractor, é que a tiraram”. Isabel Balsa aumentava a sua angústia, à medida que contava todas as peripécias de “uma noite que nunca mais esquecerei!”.

“O senhor Álvaro esteve todo este tempo em aflição, eu dizia–lhe para respirar devagarinho, mas fazia um ruído da garganta. Por volta das 3.10 horas, saiu-lhe uma golfada de espuma branca, pela boca, e a cabeça caiu para o lado. Tinha falecido”.

Com a SIV trancada, numa rua de Canelas, precisamente no lado oposto para onde se deveria dirigir, foram os Bombeiros da Régua os primeiros a chegar, por volta das 3.45 horas.

“Ainda tentaram reanimá-lo, eu estava cheia de nervos, tanto que lhes gritei: o que é que estão a fazer? A dar ar ao senhor? Ele já está morto e gelado. Mas eu sei que a culpa não foi dos Bombeiros da Régua. Eles até me disseram que não tinham responsabilidade do que estava a acontecer, dizendo que os outros estão para aí, perdidos. Só por volta das 4 horas é que chegou a segunda viatura do INEM. Se a primeira viatura estava perdida, se viam que não sabiam cá chegar, chamavam logo outra, não podiam era ter demorado tanto tempo” – disse, para complementar: “Se a Urgência do Hospital da Régua estivesse aberta, os Bombeiros conhecem isto e vinham rápido. Agora, assim, não!”,

Ao que apurámos, junto dos Bombeiros de Peso da Régua, “às 3.40 horas é que o CODU-Porto pediu ajuda aos Bombeiros de Peso da Régua, para socorrerem um doente. Estes fizeram avançar, de imediato, uma Ambulância de Socorro, com um motorista e dois TAT, Tripulantes de Ambulâncias de Transporte. Às 3.55 horas, quando chegaram junto do doente, este já estava morto.

 

 

Jmcardoso


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