No dia em que os governantes se dividiram por todo o país para atribuírem os Prémios de Mérito do Ministério da Educação aos alunos do Ensino Secundário e Profissional, na Régua foi Jaime Silva o visitante e a Escola do Rodo a escolhida. Para além dos mil euros de prémio para os dois melhores alunos, o ministro apresentou-se na escola com a promessa de um novo tractor. O autarca reguense “levou falta”.
Eva Zério e Georgina Quintela foram as duas estudantes da Escola Profissional Agrícola do Rodo que, pela sua prestação no último ano lectivo, receberam, no dia 12, das mãos de Jaime Silva, Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, no âmbito do “Dia do Diploma”, o Prémio de Mérito do Ministério da Educação.
Jaime Silva classificou aquele estabelecimento como uma “escola modelo”, capaz de dar resposta “à ideia de mudança que queremos para a agricultura portuguesa”.
“Não precisamos de mais jovens agricultores, precisamos de mais jovens empresários agrícolas”, explicou o Ministro, considerando que os portugueses e a juventude, em especial, devem ver a agricultura como uma oportunidade e não como um problema.
A resposta que é hoje dada pela Escola Profissional do Rodo, com a aprendizagem na prática e não só na teoria, foi reconhecida pelo governante que, ao ser confrontado com uma das necessidades prementes da escola, respondeu de forma positiva, deixando a promessa de que irá financiar a compra de um novo tractor, para os trabalhos de campo das aulas.
Luís Maduro, Presidente do Conselho Executivo daquela escola secundária e profissional, sublinhou que ali “se aprende, fazendo” e que a prova do bom trabalho desenvolvido é a “lista de espera de empregadores, para os formandos”. No entanto, frisou que “a escola precisa de mais recursos”, para cumprir o seu objectivo de se constituir como “uma especialista em investigação, na área da vitivinicultura, em Portugal”.
Com cerca de 450 alunos (provenientes de 36 concelhos de seis distritos do país) divididos por 32 turmas, a Escola do Rodo tem as vertentes de ensino regular e profissional, ministrando cursos em várias áreas, nomeadamente Gestão Agrícola, Vitivinicultura, Horticultura ou Enologia.
A escola é ainda detentora da marca registada “Quinta do Rodo”, tendo lançado no mercado, em Dezembro de 2005, o seu “Porto Tawny 10 anos”.
A celebração dos bons resultados conseguidos pelos alunos reguenses ficou marcada pela ausência de Nuno Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, que, em comunicado, explicou que a tomada de posição surgiu em jeito de protesto, perante “a falta de resposta”, por parte de Jaime Silva, aos “pedidos de audiência apresentados pelos autarcas da Região Demarcada do Douro”.
“Entende-se, assim, despropositada e abusiva, depois da tomada de posição do Sr. Ministro da Agricultura sobre um assunto vital para o futuro da Região que é da sua competência, a sua participação na abertura de um ano escolar e entrega de diplomas numa escola desta região e, ainda por cima, com a especificidade que a mesma encerra”, alegou o edil.
Confrontado com a situação, Jaime Silva garantiu não ter conhecimentos dos pedidos de audiência, mas, sobretudo, lamentou que Nuno Gonçalves não tenha “aproveitado a oportunidade” de, publicamente, fazer valer as suas preocupações e os problemas que a vitivinicultura duriense enfrenta.
A posição do autarca da Régua foi criticada pela Comissão Política do Partido Socialista daquele concelho que, também em comunicado, classificou a tomada de posição do autarca como “uma espécie de irreverência, com laivos de imaturidade institucional, a que se junta uma boa dose de sectarismo político-partidário”.
O PS defendeu que este não foi “o primeiro episódio” do género e considerou que “esta forma de conduzir a política autárquica é incorrecta e está em dissonância com a esmagadora maioria das autarquias da região e do país e só pode conduzir a dificuldades futuras no diálogo institucional e a problemas com a Administração Central”.
Maria Meireles





