Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Falta seguro de colheitas deixa 20 mil viticultores com o credo na boca

Voltam-se para os céus, outra vez, os olhos dos milhares de viticultores da Região Demarcada duriense, temendo o pior para as suas vinhas. As previsões meteorológicas, para os próximos dias, não são animadoras. Ocorrência de chuvas, trovoadas e quedas de granizo podem pôr em risco todo um ano de trabalho. O pior é que a […]

Voltam-se para os céus, outra vez, os olhos dos milhares de viticultores da Região Demarcada duriense, temendo o pior para as suas vinhas. As previsões meteorológicas, para os próximos dias, não são animadoras. Ocorrência de chuvas, trovoadas e quedas de granizo podem pôr em risco todo um ano de trabalho.

O pior é que a grande maioria dos agricultores não tem seguro de colheitas. Uma situação que, segundo o cálculo do Presidente da União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro, José Manuel Santos, “pode abranger cerca de vinte mil viticultores”.

“Neste momento, apenas os associados das Adegas Cooperativas subscritoras de um seguro com a “Real Seguros”, grupo Caixa de Crédito Agrícola, e não são todas (Foz Côa, Vila Real, Penajóia, Sanfins do Douro e Pesqueira não aderiram), tem cobertura quanto ao prejuízo, provocado pelo mau tempo, nas vinhas. Ora, o sector cooperativo representa cerca de vinte mil agricultores, dum total a rondar os quarenta mil” acrescentou José Manuel Santos.

“É uma situação preocupante e que deve ser ultrapassada. Uma queda de granizo intensa pode afectar, gravemente, milhares de pequenos lavradores. O ideal seria que a região tivesse um seguro colectivo de colheitas, como, em tempos, já teve e promovido pela Casa do Douro, embora reformulado e não prevendo, apenas, os riscos de granizo e chuva ou outra intempérie, mas, também, o desavinho e o escaldão”.

Recentemente, a Casa do Douro assinou um protocolo com a Groupama Seguros, uma companhia francesa que é responsável, actualmente, pelos seguros de 7 em cada 10 agricultores franceses, mas o pacote não abrangeu um seguro que grande parte dos viticultores gostaria de ter, o seguro de colheitas.

João Quintanilha, da referida empresa defendeu, na altura, que, no futuro, esta modalidade poderá ser integrada no protocolo.

Manuel António Santos, Presidente da Casa do Douro, lamenta que, actualmente, não haja, em Portugal, companhias que queiram apostar no seguro de colheitas e espera que, num futuro próximo, este convénio, assinado com a Groupama, permita a inclusão deste seguro.

Segundo uma fonte do Instituto de Meteorologia, a tendência de ocorrência de trovoadas e queda de granizo pode persistir, nos próximos dias.

Recorde-se que, em 16 de Junho do ano passado, vinhas em Ervedosa do Douro (concelho de S. João da Pesqueira), em Vale de Mendiz (Alijó) e em Provezende (Sabrosa), foram arrasadas por uma grande “tromba de água”.

O mesmo sucedeu, a 7 de Junho de 2004, com a queda de granizo, nas localidades de Porrais e Sobreira. Também, no concelho de Murça, provocou prejuízos em vários hectares de vinha e olival, a 450 agricultores. Os concelhos de Murça, S. João da Pesqueira, Foz Côa, Alijó, Sabrosa, Tabuaço e Vila Real são os que têm maior probabilidade (dada a sua situação geográfica) de ocorrência de trovoadas.

 

Jmcardoso

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