Uma queixa, junto do Ministério Público do Tribunal Judicial de Peso da Régua, contra o Ministério da Saúde, e uma exposição, enviada a este organismo são as formas de protesto dos familiares das três pessoas falecidas por alegada falta de assistência, no espaço de dez dias, no concelho de Peso da Régua.
Para o efeito, os proponentes irão recolher um conjunto de elementos sobre os factos ocorridos. Neste tocar a reunir, deverá constar a posição do Comandante dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua, António Fonseca. Este responsável assume, particularmente, críticas pelo facto de a ambulância SIV, estacionada junto ao Hospital D. Luís I, estar só em funcionamento das 20 às 8 horas, quando, “durante o dia, a sua utilidade seria relevante, no socorro emergente qualificado”.
António Gonçalves, marido de Maria Conceição Gonçalves, falecida, na Quinta-feira, fala, a uma só voz, dos três casos ocorridos:
“Quem nota que os nossos entes queridos não recebem os cuidados emergentes a tempo e a horas e, porventura morrem por causa disso, é evidente que a mágoa e a revolta não desaparecem”.
Daí, em conjunto com os familiares e amigos dos falecidos (Manuel Ferreira de Loureiro e Álvaro Monteiro, de Santa Marta de Penaguião, “pretendemos avançar com uma queixa, junto do Ministério Público, contra o Ministério da Saúde. Em causa não estão os profissionais, mas, sim, o sistema. Não se compreende como um corpo possa estar quatro horas, dentro de uma ambulância, e que uma viatura da VMER demore meia hora, a chegar de Vila Real à Régua e sejam os Bombeiros a tentar salvar as vidas. Também não aceitamos como é que uma viatura SIV, destinada a servir o concelho, se perca, numa freguesia situada a dez quilómetros do seu local de origem e fique um idoso sem assistência. Por outro lado e, no meu caso que vejo da minha janela o hospital, tenha de esperar que, de Vila Real (25 km) venha a Viatura Médica de Emergência e Reanimação, VMER, prestar assistência que, no meu caso, nem apareceu, por, ao que sei, devido a doença do próprio médico da viatura! Afinal de quem é a responsabilidade de tudo isto?”.
Por sua vez, Isabel Balça, a pessoa em cujos braços morreu Álvaro Monteiro, também alinha no mesmo diapasão: “Estou solidária com os familiares dos outros falecidos e vamos, com isto, para a frente!”.
De referir que a VMER é destinada ao transporte de meios que possibilitem a comunicação e coordenação, no terreno, em articulação com o Centro de Orientação de Doentes Urgente (CODU), local da sua actuação. Leva a equipa médica ao local da ocorrência que é constituída por Médico e Enfermeiro. Transporta o equipamento de suporte avançado de vida e abordagem ao politraumatizado. Faz triagem, em situação multivítimas, e respectivo encaminhamento e acompanhamento, até ao local mais adequado à continuidade do tratamento.
Jmcardoso





