Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022

Farturas e diversões – O prenúncio dos Santos

A tradição manda que sejam os primeiros a chegar a Chaves, logo no início de outubro, altura em que começa a contagem decrescente para os Santos. Esta é feita de cor, luz e aromas que, ano após ano, agitam a cidade e atraem miúdos e graúdos

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Quem visita Chaves ao longo do mês de outubro encontra as ruas povoadas por rulotes de farturas, hambúrgueres, pão com chouriço e outras iguarias que, do Jardim do Bacalhau à Avenida Dr. Mário Soares, anunciam a chegada do maior evento festivo da região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Ao mesmo tempo, a contagem decrescente para os Santos também se faz de diversão, sobretudo ao cair da noite, altura em que as luzes se acendem e o parque de estacionamento junto ao rio Tâmega se transforma em ponto de encontro para diferentes gerações.

© MR
“Não fazer Chaves é como ir a Roma e não ver o Papa”
JOÃO SANTOS
CHURRARIA SAMY

Logo à entrada, encontramos o bracarense João Santos, da “Churraria Samy”, que não perde uma Feira dos Santos há 36 anos. “É uma tradição grande que já faz parte da nossa rota. Não fazer Chaves é como ir a Roma e não ver o Papa. O pessoal adere, é acolhedor e, claro, também aqui ganhamos um bocadinho de dinheiro”, frisou, acrescentando que o povo flaviense gosta, sobretudo, “da tradicional fartura”.

O facto de chegarem mais cedo à cidade é o que, na sua opinião, faz a diferença. “Só os quatro dias de Feira não chegam. Se não tivéssemos esta hipótese, não conseguiríamos suportar as despesas e tornava-se impossível 50% das pessoas virem cá”, vincou.

“A grande mais-valia é o facto de podermos aqui passar um mês”
CÉSAR ANTUNES
CARROSSEL LAGARTA

César Antunes, o rosto por detrás do carrossel da lagarta que, desde 2021, tem feito as delícias dos mais pequenos, partilha da mesma opinião. “Por muito que os quatro dias venham a ser bons, a grande mais-valia é o facto de podermos aqui passar um mês”.

Ainda que acredite que “não vêm aí bons tempos”, por agora, o aguiarense faz um balanço positivo dos Santos. “As pessoas têm aderido, apesar do mau tempo, nada a que já não estejamos habituados aqui na zona. Acho, até, que tem mesmo de cair umas pingas nos Santos, que é mesmo assim”, brincou.

INFLAÇÃO

O incremento de preços que tem marcado os últimos meses em Portugal e na Europa também se faz sentir nestes negócios. Segundo João Santos, “este ano, as despesas são muitas. A inflação faz-se sentir e tivemos de subir os preços. O consumidor queixa-se um bocadinho e com razão”.

Contudo, “as pessoas estão a gastar mais do que aquilo que devem. Estes dois anos da Covid-19 foram complicados e o pessoal está a aderir muito bem. Para nós é bom, mas também não queremos que os clientes fiquem sem dinheiro”, brincou, mostrando-se otimista para os quatro dias de Feira que arrancam este sábado.

“Só deixaremos de vir quando nos expulsarem de cá”
ISABEL ROCHA
O PADEIRO

Já Isabel Rocha, natural de Barcelos, presença assídua há seis anos com o negócio de ‘street food’ “O Padeiro”, tem tido uma experiência diferente. “Notamos que a inflação é o que nos está a prejudicar. Vemos que há pessoas que já dividem uma bebida, a comida. O dinheiro é mais escasso e os lanches e jantares são mais controlados”.

“A inflação é uma bola de neve e quem mais sofre são os consumidores. Nós somos obrigados a mexer um bocadinho nos preços para conseguirmos ter a nossa margem”, sustentou.

Ainda assim, “sem dúvida que vir no início do mês nos compensa. Só deixaremos de vir quando nos expulsarem de cá”, disse entre risos, destacando estar grata pelo “carinho dos flavienses” que se reflete, inclusive, na forma como os seus filhos são recebidos nas escolas da cidade, as quais frequentam durante a estadia em Chaves.

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