O tempo que entretanto passou se encarregou de mostrar a injustiça de tal epíteto.
Nos dias de hoje, a sociedade (expectante, nervosa, efémera, mas afirmativa, exibicionista, radicalizada) mostra a sua real face através dos processos de mediatização, do sensacionalismo, da vaidade. Os programas televisivos, os jornais e as revistas, as redes sociais revelam o que um dia alguém referiu ser próprio de gente nova e “rasca”. Só que, na verdade, os problemas em que o mundo assenta, na atualidade, não são exclusivos dessa geração. De resto, nota-se, claramente, que os mais jovens têm conhecimentos, opiniões, gestos, opções, defesas e formas de estar muito assertivas, corretas e interventivas.
Os que apontam com o dedo indicador pretendem pertencer a elites sociais, morais, profissionais, educativas, sociológicas, antropológicas. Mas são eles próprios que também pretendem formatar o futuro e fazem-no de maneira algo confrangedora. A política tem a ver com os comportamentos sociais. E o que mais claramente se vê são os conflitos.
A sociedade atual, especialmente através das tribunas dos politólogos e dos “opinion makers”, passam por cima do que resulta bem, com o argumento de que “o que é bem feito não deve suscitar discussão nem comentários”, ao contrário do que é “rasca” que “merece atenção, por ser preocupante”. É por isso que as televisões, os jornais e as revistas ou as redes sociais estão cheias de gente muito emotiva e nada refletiva, patifes, até criminosos que nos assaltam e desafiam, nos seus “lobbies” em que se refastelam e refugiam. Os diretores de órgãos de comunicação social defendem, hoje em dia, que serviço público é desvendar e revelar o crime, as baixezas, o analfabetismo, o sangue, o fogo e as lágrimas. São eles que enaltecem a mediocridade.
O futuro não será determinado por pessoas “rascas”. Desgraçadamente, o futuro já está a ser feito por aqueles que tiveram a sua qualidade moldada no passado intranquilo em que viveram. Qualidade pouca, vergonha nenhuma. Porque não têm vergonha aqueles que se julgam donos do mundo e para quem são os outros os responsáveis pelas coisas más, desde os falhanços da economia, às chusmas de refugiados.





