“Foi um momento de aflição”, relata Sandra Marcelo, residente da zona desde 2020.
Segundo ela, “foi a primeira vez que viu algo parecido na rua”. O fogo teve início por volta das três da manhã e as chamas chegaram a aproximar-se dos passeios e dos carros estacionados. “O fogo já andava mesmo em cima dos carros. Eu e a minha irmã tivemos de correr para os tirar dali”, acrescenta.
“Fiquei com muito medo, porque eu nunca tinha presenciado nenhum incêndio assim tão próximo”
Sophia Ribeiro
Os poucos minutos de chama foram suficientes para “sentir a fumaça forte a arder os olhos, o nariz e a garganta”, recorda Sophia Ribeiro, que estava a preparar-se para dormir, quando ouviu uma mulher a gritar e a pedir ajuda na rua. Vinda do Brasil, e moradora do bairro há apenas um mês, admite que “fiquei com muito medo, porque eu nunca tinha presenciado nenhum incêndio assim tão próximo”.
Segundo testemunhas, foram os próprios populares que controlaram o fogo com extintores, antes da chegada das autoridades. “Quando o fogo já estava apagado, veio o carro da PSP, mas não fizeram nada”, afirma Sandra.
Embora o incêndio tenha sido rapidamente dominado, há dúvidas entre os locais sobre a origem das chamas. “Não faz sentido, era de noite e não estava assim tão quente”, comenta Sophia.
Muitos moradores da região também criticaram o abandono da encosta. “Moro aqui há cinco anos, só vi limparem o terreno duas vezes, desde que puseram o gradeamento a situação é ainda pior”, denuncia Sandra Marcelo.

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