Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Iniciativa do Museu do Douro, leva crianças e jovens recriam as “rogas”

Em Setembro, “os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois, sobem. E, daí a pouco, há sol engarrafado, a embebedar os quatro cantos do Mundo”. Foi desta forma que Miguel Torga, escritor natural do concelho de Sabrosa e um dos […]

Em Setembro, “os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois, sobem. E, daí a pouco, há sol engarrafado, a embebedar os quatro cantos do Mundo”. Foi desta forma que Miguel Torga, escritor natural do concelho de Sabrosa e um dos nomes maiores da literatura portuguesa do Século XX, descreveu e imortalizou, na sua obra, as “rogas” das vindimas realizadas no Douro.

Para preservar esta tradição, o Serviço Educativo do Museu do Douro preparou um programa dedicado aos mais jovens que tem como objectivo principal não deixar morrer esse tão rico exemplo de cultura popular duriense. Trata- -se das “Rogas do Serviço Educativo do Museu do Douro 2007”, as quais se traduzem na reconstituição de uma manhã de vindima, no Douro. E, precisamente no ano em que se comemora o Centenário do Nascimento de Miguel Torga, desta vez, as “rogas” terão por tema a vindima, na prosa e poesia do autor transmontano.

Recorde-se que as “rogas” eram os ranchos de homens e de mulheres que animavam, com os seus cantares, a faina das vindimas e o pisar das uvas, nos lagares, ao som dos bombos, ferrinhos, braguesas e concertinas.

Assim, a partir da segunda semana de Setembro, o Douro recebe jovens e crianças dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclos de escolaridade e do Ensino Secundário, para uma vindima especial, acompanhada por textos e poesias de autoria de Miguel Torga, alusivos às vindimas, no Douro.

Colaboram com esta iniciativa a Quinta da Senhora da Graça e a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.

De acordo com o programa delineado, as “rogas” terão início às 9.30 horas, com a chegada dos participantes à Quinta e com a recepção pelo Serviço Educativo do Museu do Douro. Pelas 9.45 horas, o grupo desloca-se para a vinha, onde terá um pequeno-almoço tradicional, de batatas e bacalhau. A vindima inicia-se às 10.30 horas, terminando com um almoço também característico dos tempos de então: arroz ou massa, com feijão e fêveras assadas.

Cada “roga” poderá ter até 25 participantes, sendo que as inscrições (que deverão ser feitas, antecipadamente, por telefone ou fax) serão aceites por ordem de chegada. Até à data, o Serviço Educativo do Museu do Douro conta já com a inscrição de três escolas, da zona do Porto.

De salientar que este é o quarto ano consecutivo que o Museu do Douro organiza esta iniciativa que, cada vez mais, vem ganhando adeptos.

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