A planta identificada por Pedro Correia e denominada Cyathocarpus felicianol, com mais de 300 milhoes de anos, foi publicada na revista internacional Review of Palaeobotany and Palynology, que resultou de uma colaboração com Zbynĕk Šimůnek, investigador dos Serviços Geológicos da República Checa e Zélia Pereira, investigadora do LNEG.
O fóssil foi descrito com base na investigação de Carlos Teixeira, na década de 1940, em colaboração paleobotânica de grande valor dos Serviços Geológicos de Portugal.
“Esta coleção permaneceu inexplorada no seu depósito original, tendo a sua relevância sido esquecida durante quase 80 anos”, referiu o investigador da UTAD.
Os fósseis foram recolhidos pelos técnicos que acompanhavam as operações de perfuração, com instruções para a preservação de todos os fósseis encontrados. Ao fim das campanhas, os fósseis foram guardados em dois armários de madeira nas instalações do então Serviço de Fomento Mineiro.
A investigadora, Zélia Pereira, afirmou que “estes fósseis foram recolhidos durante campanhas de sondagem realizadas nas áreas de São Pedro da Cova e Midões, na década de 1930, no âmbito do programa de avaliação dos recursos de carvão da Bacia Carbonífera do Douro.”
Carlos Teixeira (1910-1982), geólogo e paleobotânico de referência, teve acesso a este material e realizou um trabalho detalhado de revisão e identificação taxonómica, que sustentou publicações científicas relevantes em 1945.
Na década de 1960, os armários foram transferidos para São Mamede de Infesta, aquando da construção do edifício do Laboratório, onde permaneceram durante décadas praticamente esquecidos. Recentemente, a coleção voltou a ser estudada. Nos últimos dois anos, os trabalhos conduzidos por Pedro Correia permitiram reavaliar o conjunto e identificar uma nova espécie de feto extinto do Paleozoico Superior. Em reconhecimento do contributo de Carlos Teixeira, o acervo passou a designar-se Coleção Carlos Teixeira.
“Esta descoberta reforça a importância das coleções de história natural para o avanço do conhecimento científico, nomeadamente sobre a diversidade dos fetos da ordem Marattiales no final do período Carbónico”, sublinha Pedro Correia.
A designação Cyathocarpus felicianoi homenageia José Feliciano, geólogo do LNEG, instituição onde a coleção se encontra atualmente depositada.






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