O projeto da futura variante de ligação de Boticas à Autoestrada 24 (A24) encontra-se em consulta pública desde o passado dia 5 de junho, no âmbito do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), até a 17 de julho.
A infraestrutura surge associada ao desenvolvimento do projeto lítio do Barroso e pretende melhorar a acessibilidade do concelho à rede nacional de autoestradas, reduzindo os tempos de deslocação para Chaves, Vila Real e para a fronteira com Espanha.
De acordo com a documentação colocada em consulta pública, estão em análise duas alternativas de traçado. A opção norte apresenta uma extensão aproximada de 16,5 quilómetros, enquanto a opção sul terá cerca de 17,3 quilómetros.
A nova ligação rodoviária constitui um investimento público considerado estratégico para o território, sendo apontada pelos promotores como um instrumento de combate ao isolamento geográfico e social do concelho. Entre os benefícios identificados encontram-se a melhoria do acesso a serviços de saúde e educação, o reforço da mobilidade dos residentes e a criação de condições mais favoráveis à fixação de população e à atração de investimento.
Segundo a Savannah Resources, empresa responsável pelo projeto de exploração mineira em Covas do Barroso, a variante representa uma aspiração antiga da região e um elemento fundamental para potenciar o desenvolvimento económico local.
Citado em comunicado, o diretor executivo da empresa, Emanuel Proença, considera que este é “um passo decisivo para concretizar uma infraestrutura há muito aguardada pelas gentes do Barroso”, salientando que as soluções atualmente em análise resultam de um trabalho de coordenação com diversas entidades, incluindo a Câmara Municipal de Boticas, a Infraestruturas de Portugal e o Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
O responsável acrescenta que o processo de consulta pública constitui uma fase essencial para recolher contributos da população e garantir que a solução final responda, de forma equilibrada, às necessidades da região.
No entanto, há quem coloque algumas dúvidas. Em grupos anti-minas, nas redes sociais, vão multiplicando-se os comentários a esta nova fase do processo. “O principal efeito desta variante será criar uma ligação mais rápida entre as futuras explorações mineiras e a rede de autoestradas, permitindo o escoamento de materiais por camião. Se assim for, estamos perante uma questão fundamental: deve o dinheiro público ser utilizado para financiar uma infraestrutura cuja principal utilidade poderá estar associada a uma atividade industrial específica, com impactos destrutivos significativos no território?”, questiona um internauta no Facebook, por exemplo.
A consulta pública decorre através da plataforma Participa, o nde os cidadãos podem consultar os estudos e apresentar observações ou sugestões relativamente ao projeto. Ao momento de fecho desta edição, existiam 39 participações enviadas e 60 pessoas a seguir a consulta pública na plataforma.





