Depois de ter negociado com o grupo “The Fladgate Partnership” a venda de cinco milhões de litros de Vinho do Porto, num valor de quinze milhões de euros, a Casa do Douro viu quase de imediato o IVDP rescindir um acordo que tinha com a instituição duriense relativo ao cadastro. Uma má noticia para um organismo que abrange mais de 40.000 agricultores, sabendo–se que o protocolo com o então estipulado Instituto dos Vinhos do Douro e Porto rendia, por ano, à CD, cerca de 850 mil euros. Ou seja, cinquenta por cento das suas receitas.
Manuel António dos Santos tornou público que os efeitos da rescisão do protocolo, datado de Janeiro de 2005, são “ilegais” e que está disposto a avançar para os Tribunais e, até, para a mobilização dos vitivinicultores. Antes de ter conhecimento desta decisão do IVDP, a CD tinha acordado com a “The Fladagate Partnership”(Taylor) a venda de 5 milhões de litros de vinho do Porto. Ao todo, foram 9 mil pipas dos anos de 1996, 2000 e 2001. Manuel António Santos considerou que o montante servirá para pagar dívidas, avaliadas em cerca de 15 milhões de euros, a três bancos, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Português de Negócios e a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, a quem os vinhos estão penhorados. Manuel António Santos tem a opinião de que a venda dos vinhos trará alguma paz à Região Demarcada do Douro e possibilitará à CD desempenhar as suas funções de defesa dos viticultores durienses. Um ponto de vista não partilhado pelo Presidente do IVDP, Jorge Monteiro, que considerou que a operação comercial poderá ter impactos negativos na fixação da produção de Vinho do Porto, em 2008, temendo uma diminuição da capacidade de compra, por parte do sector. Antes, a CD já tinha negociado a venda de 5.090 pipas à Gran Cruz e 500 pipas à Real Companhia Velha. E, em relação a esta empresa, a instituição duriense aparece com a disposição de alienar a parte que detém no grupo, para, depois, partir para um projecto comercial que vem cogitando de há algum tempo e que passa pela constituição de uma empresa que possa vender directamente da produção para o mercado.
De referir, ainda, que, em Lamego, a CD abriu ao público, no Sábado, a sua enoteca, representando, sem dúvida, uma mais-valia para o enoturismo da região duriense. Esta nova estrutura teve o apoio da Câmara Municipal de Lamego.
Jmcardoso





