Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
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Luís Tão
Luís Tão
Empresário

Linha do Valle do Corgo

Desde os tempos mais remotos, a humanidade tem procurado formas de se ligar, de estreitar laços e de facilitar a sua deslocação.

Entre as inúmeras invenções que transformaram a sociedade, o caminho de ferro destaca-se, não apenas como um meio de transporte, mas como um símbolo de progresso, união e transformação social.

Os nossos antepassados, na sua procura por inovação, vislumbraram no comboio uma solução para os desafios da mobilidade. As distâncias deixaram de ser barreiras intransponíveis; cidades antes isoladas passaram a dialogar entre si, trocando culturas, ideias e recursos.

A virtude desse progresso foi além da mera conetividade física. Ele representou uma oportunidade de desenvolvimento económico sem precedentes. As regiões rurais, muitas vezes esquecidas, viram suas produções alcançarem mercados antes inimagináveis.
Mais importante ainda, o caminho de ferro teve um impacto profundo nas relações sociais. A movimentação de pessoas permitiu que famílias se reunissem, que trabalhadores migrassem em busca de melhores oportunidades e que culturas diversas se encontrassem. Foi um verdadeiro catalisador de mudança.

À medida que refletimos sobre o legado que os nossos antepassados nos deixaram, o caminho de ferro emerge como um exemplo de visão e resiliência. É um testemunho de como a inovação pode trazer consigo um futuro repleto de possibilidades. Embora hoje enfrentemos novos desafios de mobilidade e sustentabilidade, as lições aprendidas com a evolução do transporte ferroviário deveriam continuar a guiar-nos.

Não tem sido assim.

Vem isto a propósito da nossa linha do Corgo. O 1º lanço, Peso da Régua – Vila Real, foi inaugurado a 12 de maio de 1906, tendo sido totalmente concluído em 21 de agosto de 1921. Esta foi a visão dos nossos antepassados, porque a visão dos nossos contemporâneos foi diferente: encerraram o troço Vila Real – Chaves a 1 de janeiro de 1990, tendo encerrado o que faltava, Vila Real – Régua a 25 de março de 2009.

Fácil de entender são os benefícios da sua reabertura, que vão da coesão territorial ao impacto económico, passando pela valorização do património, do turismo, do ambiente, da eficiência e segurança…

Difícil de entender é o afastamento das pessoas e o desleixo dos partidos políticos. Estes, têm estado mais comprometidos em inviabilizar as propostas uns dos outros, no sentido de evitar que alguém fique com os louros, do que a chegar a um consenso a bem de todos nós.

Como diz o meu primo Manuel Tão “… para Presidente da República, hoje depositaria a minha confiança em Pedro V …”, embora o nome fosse demasiado longo para constar no boletim de voto. Em 1852, o Príncipe Real, visitou Inglaterra, utilizando várias vezes nas suas deslocações o comboio, o entusiasmo foi tal que registou no seu “Diário”: “que vantagens não retiraria o meu pobre País de um caminho de ferro? Quanto não fertilizaria e enriquecia ele o comércio do Alentejo. Mas quando se fará ele? Certamente não quando mesquinhas paixões lhe fazem uma sórdida resistência… Ainda é tempo de remediá-lo, mas não há tempo a perder…”

O legado do passado deve ser valorizado, e não há tempo a perder.

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