Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Eleitoralismo

Se há coisa que a maior parte de nós detesta é sentir que está a ser enganado.

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Na vida privada, na sociedade e, sobretudo, quando sentimos que nos mexem na carteira. Não basta ser honesto, é preciso parecê-lo! 

Uma curta notícia de sexta-feira passada, em todos os meios de comunicação social, dava conta de uma deliberação do dia anterior do Conselho de Ministros, nestes termos: ontem, o Governo anunciou que aprovou um reforço de 282 milhões de euros para reduzir as dívidas dos hospitais. A verba destina-se ao pagamento de dívidas em atraso há mais de 90 dias a 21 hospitais (EPE — Entidades Públicas Empresariais). Veja-se o descaramento. É do domínio público que a dívida dos hospitais públicos e privados será muito superior a mil milhões de euros. Ou seja, as administrações hospitalares, no âmbito das suas competências, com o respaldo dos orçamentos que têm aprovados e naturalmente o visto do Tribunal de Contas, ainda não pagaram aos seus fornecedores aquilo que lhes devem há muitos meses, em alguns casos, há mais de um ano. Tudo despesas autorizadas há muito, pelo Ministério das Finanças.

Vem agora o Conselho de Ministros anunciar que disponibilizou 282 milhões de euros, como se tratasse de um financianciamento ao Serviço Nacional de Saúde, que está a ser atacado por todos os lados. Então isto é sério? Dizer ao cidadão: tanto se ataca o SNS e nós até estamos a injetar verbas no Sistema? Grande logro!

Uma outra manchete há menos de uma semana, sobre a disponibilização de cerca de 15 mil quartos em novas residências universitárias, para estudantes, das quais, mais de 50 % em Lisboa. Entre parêntesis: Porque é que se destinam mais de 50 % de alojamentos para Lisboa? Porquê Lisboa? É assim que se protege o Interior do país? Porque é bem evidente que, se não houver alojamento universitário na capital e ele for disponibilizado nas universidades do Interior, para onde é que os estudantes se dirigem? Hipocrisia.

Mas adiante. Quinze mil alojamentos, no próximo ano, só se for para enganar tolos. Até se deram ao luxo de mostrar fotografias de edifícios públicos ou similares — ex-quartéis militares, conventos desocupados… como se fosse possível, sem projetos urbanísticos, sem financiamento, sem concursos para construção, poder disponibilizar, em menos de meio ano, mais quinze mil quartos para acolhimento de alunos do ensino superior. Puro logro em ano eleitoral em que parece valer tudo.

Porém, só se deixará enganar, quem quiser, tantos são os alertas que vão sendo feitos.

Como eleitoralismo é aumentar o salário mínimo da função pública para 635€, quando se sabe que o salário mínimo nacional continua em 600€, que é o que uma economia débil como a nossa pode suportar. Mal se percebe que Mário Centeno, tão cativador numas coisas, tenha autorizado desatar os cordões à bolsa. Mais tarde se saberá o resultado desta fartura.

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