Domingo, 3 de Julho de 2022

Lixeiras a céu aberto conspurcam paisagens do Douro

Apesar das várias iniciativas e campanhas para a preservação e a limpeza da paisagem que a UNESCO elegeu como Património Mundial, o certo é que ainda há maus costumes, nesta matéria. Precisamente para pôr fim a estes mesmos maus procedimentos, arranca, este mês, a campanha “Sensibilização à Educação Ambiental no Alto Douro Vinhateiro”, uma iniciativa […]

Apesar das várias iniciativas e campanhas para a preservação e a limpeza da paisagem que a UNESCO elegeu como Património Mundial, o certo é que ainda há maus costumes, nesta matéria.

Precisamente para pôr fim a estes mesmos maus procedimentos, arranca, este mês, a campanha “Sensibilização à Educação Ambiental no Alto Douro Vinhateiro”, uma iniciativa coordenada pelo Centro de Estudos Tecnológicos do Ambiente e da Vida da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Esta acção está inserida no projecto “Erradicação das Dissonâncias Ambientais no Douro”, promovido pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte e pelo Instituto Portuário dos Transportes Marítimos, IPTM.

Porém, e apesar desta campanha estar já a decorrer, vários são os locais da região onde ainda existem atentados ao ambiente e conspurcação de paisagem. São os casos, no concelho de Peso da Régua, da Estrada Municipal, entre Bagaúste e Covelinhas, seis quilómetros situados em zona classificada como Património Mundial e, também, no mesmo “território”, na Estrada Municipal, entre Covas do Douro e Donelo, no concelho de Sabrosa. Nesta via, no lugar de Vale de Ordonho, andam a despejar lixo, vários electrodomésticos e inertes de construção civil, à beira da estrada, numa propriedade de José Barros, conforme o próprio proprietário confirmou: “Fazem tudo, durante a noite. Como o meu terreno fica junto à estrada, deitam lá tudo. É uma vergonha, pois é uma situação que se arrasta desde há dez anos e que não pára. Parece que o terreno virou lixeira da região”.

De facto, quem chega ao local, repara, de imediato, no conjunto de dissonâncias ambientais existentes: frigoríficos, sofás, máquinas de lavar e outros resíduos sólidos vão ali parar.

“É bom que as autoridades competentes tomem medidas, para evitar esta situação. Além de afectar um terreno que é meu e o trabalho que terei, para remover esta lixeira, também está em causa o meio ambiente” – sublinhou José Barros.

No que concerne à Estrada Municipal, entre Bagaúste e Covelinhas, “cravada” em plena encosta debruçada sobre o Douro e à vista de todos, vários são os pontos em que esta via é alvo de despejos. Os “pontos negros” estão situados a cerca de dois quilómetros de Bagaúste. Vário lixo, espalhado pela encosta, “estraga” uma paisagem natural, ao lado de alguns mortórios ainda existentes no local.

Esta acção piloto prevê um conjunto de iniciativas, viradas para a sensibilização das populações. Por tal, vão ser distribuídos prospectos, em todas as freguesias, chamando a atenção das pessoas para os cuidados a ter com a colocação do lixo, monstros e resíduos sólidos oriundos do sector construção civil. Ao mesmo tempo, depois de limpos, os locais onde se encontravam os resíduos serão vedados.

Em paralelo, estão previstas outras campanhas pedagógicas ambientais, dirigidas aos habitantes de alguns concelhos ribeirinhos, ao mesmo tempo que está prevista a criação de soluções efectivas para a deposição dos inertes de construção civil.

De referir que a campanha de “Sensibilização e Educação Ambiental no Alto Douro Vinhateiro” tem uma duração de doze meses e abrange os concelhos de Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Mesão Frio, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Vila Real e Tabuaço. Terá duas abordagens, na sua operacionalidade. Uma mais imediata, envolvendo a correcção imediata de atitudes e comportamentos das populações. A outra, a médio/longo prazo, cujo público-alvo serão os educadores da comunidade escolar.

 

Jmcardoso

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