Quarta-feira, 18 de Maio de 2022
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Mais um projeto parado

O desempenho de funções públicas e as “raízes” levaram-me a acompanhar com bastante atenção o projeto do Vale do Tua e os vários aspetos das contrapartidas relativas ao Aproveitamento Hidroelétrico de Foz-Tua.

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Tive até o ensejo de ler o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental, indispensável, quer pela natureza da obra, quer pelas implicações inerentes à sua localização e interação com o sítio Alto Douro Vinhateiro. O Parque Natural Regional estruturou-se e desenvolve a sua atividade. Dou público testemunho que há pessoas, nacionais e estrangeiras, que vêm à região, motivados pelo Parque, para fruir a sua paisagem natural que os vários miradouros mais evidenciam, para percorrer os percursos sinalizados, enfim, para beneficiar da visão noturna da abóboda celeste nas noites limpas e livres da poluição luminosa das cidades. O Centro Interpretativo lá está a desempenhar o seu papel, com agrado para os que o visitam. Ótimo.

Todavia, as contrapartidas não se ficavam por aqui. Também lá consta o Plano de Mobilidade, composto pelos percursos que estabelecem a ligação entre a Estação Ferroviária do Tua e Mirandela-Carvalhais, combinando o troço rodoviário, num percurso de cerca de quatro quilómetros, o troço fluvial, em 19,1 quilómetros e o troço ferroviário entre Brunheda e Mirandela, numa extensão de 39,2 quilómetros. O barco Rabelo já está atracado ao cais da Brunheda há, talvez, cinco anos. A testar a qualidade da madeira, dizem uns. A “apodrecer”, afirmam outros. O comboio espera pelo maquinista em Mirandela. E que trabalheira para o ter levado até lá, disseram-me em tempos, julgo que há três anos. O Plano de Mobilidade tem fins turísticos, mas também uma importante componente de mobilidade quotidiana para as populações. 

Estou convencido de que não estarei muito mal na contagem do tempo. É chocante ver passar oportunidades num território que não se pode dar ao luxo de perder seja o que for dos seus recursos. Os presidentes dos cinco municípios desejam tanto quanto os empresários dos seus concelhos não as perder. O setor privado cumpre a sua parte. E o público? Que se passa na IP, empresa pública responsável pelas infraestruturas rodo e ferroviárias do país? Pelos vistos, só de parte. É que, por aqui, empurra para as Câmaras tudo o que pode. E a Senhora Ministra da Coesão arrisca promessas que não passam disso mesmo – promessas! Que mais será preciso? Talvez um dia tenhamos que escrever, adaptando, a famosa frase do Alqueva – “ponham-me a funcionar, p …”.

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