Durante o último fim de semana, decorreu o Campeonato Regional de Inverno da ARNN, de Juniores e Seniores, integrando, também, o Campeonato de Juvenis e Cadetes. Esta prova realizou-se na Piscina Municipal de Bragança, instalação coberta e aquecida, de reconhecida qualidade, sem rival, no Nordeste Transmontano.
Com sete clubes presentes, três de Vila Real (CNIN, CNVR e GCVR), dois de Bragança (SSCMB e Académico), um de Chaves (NCC) e um de Alijó (CNA), com pouco mais de 60 nadadores federados (4 escalões), a competição ficou muito aquém daquilo que seria de esperar, especialmente após os incidentes registados com a equipa de arbitragem, como aconteceu, no ano passado, no mesmo campeonato.
Pelo cúmulo de incidentes e erros, diremos que a ARNN deixou de ter qualquer credibilidade para organizar provas selectivas para Campeonatos Nacionais, momentos decisivos para a carreira dos nadadores. Referimos isto porque o Conselho de Arbitragem convocou, novamente, árbitros sem qualificação para as principais funções de juiz, sendo de esperar que houvesse erros graves, o que, uma vez mais, aconteceu.
Nos dois dias, observámos um clube a provocar atrasos de início das provas, em cerca de 45 minutos, sem ter qualquer penalização pelo juiz-árbitro ou pela organização. Sabendo que outros clubes investiram muito dinheiro na estadia, em Bragança, para respeitar o programa, no mínimo, isto é falta de respeito pela Natação. Por outro lado, vimos o “starter” dar partidas em provas, sem esperar que todos os nadadores estivessem imobilizados nos blocos (caso mais grave foi nos 50 Mariposa Femininos, prova com candidatos a mínimo nacional). Outra caricata situação foi vermos o juiz de chamadas, juíz-árbitro e juiz de partidas ficarem baralhados, entre si, permitindo que duas provas de 400 estilos, uma masculina e outra feminina, se realizassem, em simultâneo, sem que houvesse acordo prévio dos delegados dos clubes. Mais grave foi, depois, o director técnico, sem competência para o fazer, querer imputar responsabilidades aos nadadores, com estes completamente incrédulos e perplexos por tal actuação. Para além disto, observou-se que a equipa de arbitragem não se apresentou com o equipamento oficial, aparecendo trajada com “t-shirts” da Câmara Municipal de Bragança (certamente, uma novidade nacional!) ou, ainda, novas inscrições, em cima das próprias provas, faltas técnicas sem desqualificação (árbitros da casa a fecharem os olhos aos seus nadadores Cadetes) ou juízes cronometristas retirarem os nadadores, com as suas próprios mãos, pela parede da zona de partida, violando regulamentos. Enfim, de tudo aconteceu um pouco!
Esta situação é grave, quando, por um lado, sabemos que os árbitros credenciados da ARNN não participam, porque o subsídio diário não compensa, sequer, a deslocação, ou, por outro lado, após ter sido proposto, pelos clubes, no início da época, a ARNN recusar a realização conjunta dos campeonatos com a ANNP e ANMinho, especialmente porque a situação seria favorável para os nadadores obterem mínimos. Este estado de permissividade, a cumplicidade visível com certos clubes, a falta de rigor organizativo e uma fraca qualidade desportiva está levar a natação regional para um ponto sem retorno. Sabendo que o orçamento anual da Federação é de 12.000€, é visível que este dinheiro não tem reflexo algum na qualidade dos campeonatos regionais!
Diremos somente que o CNIN/CNVR/AAUTAD foi o vencedor absoluto, face ao número de pódios e primeiros lugares alcançados. O CNIN foi o único clube a pontuar, em todas as categorias, o que é significativo, estando os resultados em sintonia com outros regionais, já realizados, nesta época. De destacar a presença forte do Clube Académico de Bragança e a qualidade técnica dos jovens nadadores do NCChaves.
A próxima participação do CNIN e CNVR será no Regional da ANNP, no próximo fim-de- -semana, na Póvoa de Varzim.
Eleições na
Associação Regional
A presente situação tem que ser reflectida por todos os clubes, prontamente. Está nas mãos do Presidente da Assembleia Geral da ARNN, Eng. Manuel Fernandes, até final de Março, marcar a Assembleia-Geral, para se discutir os problemas actuais e eleger os novos corpos directivos, eleições essas que somente acontecem nesta Associação em ano Olímpico!.
Uma nova equipa, um menor desgaste e uma maior representatividade trarão, certamente, mais credibilidade à natação regional. No momento em que surgem novas piscinas cobertas, é notório que o interior do país está longe de rivalizar, de igual para igual. Este facto é estranho, porque todos os dias estão a aparecer, nas piscinas, crianças com nível técnico e forte motivação para competir.
JC



