Depois da conquista do título de campeão, o Vila Real deslocou-se a Murça sem a ambição que vinha evidenciando no campeonato. Já os locais tudo fizeram para tentar derrotar o campeão, mas Cabreca esteve muito atento entre os postes e segurou a igualdade.
Os alvi-negros entraram mais fortes na partida e logo aos 7’, vão inaugurar o marcador, numa jogada em que André Azevedo ganha na raça sobre um defensor murcense, fica isolado e remata para o desvio do guarda–redes Marco, mas a bola ficou nos pés de Mico que só teve de empurrar para o fundo das redes, fazendo o primeiro golo do desafio. O golo madrugador dos vila-realenses parece que adormeceu um pouco os pupilos de Abel Ferreira, já o Murça foi à procura de anular a desvantagem. Aos 12’, há um livre a favor dos locais, a bola é colocada no segundo poste, com João Vaz a rematar para o desvio de Cabreca pela linha final. Por volta dos 20 minutos, Azevedo volta a fugir pela direita do seu ataque, vai à linha e cruza para o coração da área, mas Bessa chegou atrasado ao cruzamento. O Murça respondeu de imediato, com o capitão Bino a rematar por cima da travessão. A defensiva forasteira estava constantemente a ser colocada à prova, com o Murça a chegar mais vezes com perigo à área alvi-negra. Aos 26’, Tony esteve muito perto de marcar, já que aparece na cara de Cabreca, mas o remate saiu por cima do travessão. Os avisos eram constantes nesta altura e o Murça já justificava o golo. O empate apareceu pouco depois, à terceira tentativa, num bom trabalho do capitão Bino, que ultrapassa com mestria Abreu e desfere um remate colocado, sem hipótese de defesa para Cabreca. O resultado ao intervalo espelhava o que se tinha passado em campo, nestes primeiros 45 minutos.
Na segunda metade, o Vila Real foi a primeira equipa a criar perigo. Na sequência de um pontapé de canto, Bouças coloca na confusão, mas ninguém consegue o desvio e a bola perde-se pela linha final. Aos 60’, Cabreca teve que se empenhar a fundo para evitar o golo de João Vaz, quando este apareceu sozinho na frente do guarda-redes visitante. Aos 67’, os adeptos do Murça reclamaram uma suposta mão de Abreu dentro da grande área, mas João Cabral, bem posicionado, mandou seguir, também não houve qualquer protesto por parte dos jogadores da casa. Aos 67’, o Murça ficou reduzido a dez elementos, com o árbitro a mostrar o segundo amarelo a Hugo Ribeiro. Se se esperava mais intensidade por parte do Vila Real, o que se viu foi até alguma resignação, à espera que o jogo acabasse por se resolver. Jogava-se agora aos repelões, sem ligação entre sectores, tanto de um lado como do outro. No entanto, a última oportunidade saiu dos pés de Albino, mas valeu o corte em cima da linha de um defensor vila-realense.
Num jogo com pouca história, o empate acaba por se ajustar ao que se passou dentro das quatro linhas.
No próximo jogo, o Vila Real recebe o Sabroso, já o Murça tem uma pequena deslocação até Fiolhoso, num «derby» local sempre interessante.
As reações dos treinadores
ABEL FERREIRA, treinador do Vila Real
“Foi um resultado justo”
O técnico Abel Ferreira referiu que o resultado acabou por se ajustar ao que se passou em campo.
“Foi um resultado justo. Em confronto estiveram duas boa equipas. O Vila Real entrou um pouco relaxado no jogo e não mostrou a sua maior capacidade. Do outro lado, esteve uma equipa bem organizada que mostrou porque é finalista da Taça AFVR. Sempre muito lutadora e combatida, a formação do Murça tentou cortar todos os caminhos para a sua baliza. A nossa equipa não esteve tão bem como tem estado em outros jogos, mas mesmo assim, considero o resultado positivo. Relativamente ao lance de hipotética grande penalidade, o árbitro esteve bem, porque, apesar de na bancada dar a sensação que o jogador dá com a mão na bola, na realidade ele não toca com a mão na bola, apenas toca com a perna. Aliás, dentro do campo nem sequer há qualquer reacção dos jogadores adversários a pedir essa hipotética falta dentro da área”.
Gilberto Gomes, treinador do Murça
“O Murça merecia a vitória”
O técnico local sublinhou que a sua equipa merecia outro resultado, já que teve mais e melhores ocasiões para marcar.
“Por aquilo que fez durante os noventa minutos, o Murça merecia a vitória. Tivemos várias oportunidades, mas não fomos eficazes na finalização. Depois da expulsão, o Vila Real teve alguma superioridade no domínio de jogo, mas praticamente não incomodou o nosso guarda-redes. Aliás, o jogo do Vila Real baseou-se em bolas pelo ar e pouco ou nada fez para ganhar o jogo. Ainda ficou uma grande penalidade por assinalar, por haver uma mão dentro da grande área que o árbitro devia ter assinalado. Mesmo assim, os meus jogadores bateram-se com galhardia, procuraram o golo da vitória, no entanto, pecamos na eficácia. O campeonato ainda não acabou, vamos lutar pelos três pontos nos quatro jogos que faltam, só depois virá a final da Taça AFVR. Claro que irá ser um jogo complicado, mas o Murça pretende revalidar o título conquistado na época passada”.
Ficha Técnica
Jogo disputado no Estádio Municipal de Murça.
Árbitro: João Cabral
Auxiliares: Ângelo Borges e Raul Maia
MURÇA – Marco, Topinha, Bruno, Clemente, Albino, Tony (Hélio, 77’), Marito, Hugo Ribeiro, Bino (Carlos, 92’), João Vaz, Cleto.
Suplentes não utilizados: Dany, Atílio, Dinis, André e Miguel Paiva.
Treinador: Gilberto Gomes
VILA REAL – Cabreca, Filipe (Miguel Ângelo, 84’), Abreu, Kobe, Peixoto (Nunes, 45’), Castanha, Bessa, Azevedo, Mico, Schuster, Bouças (Henrique, 73’).
Suplentes não utilizados: Ivo, Manuel, Coutinho e Carlos.
Treinador: Abel Ferreira.
Ao intervalo: 1 – 1
Marcadores: Mico (7’) e Bino (31’).
Cartões amarelos: Hugo Ribeiro (45’ e 67’), Tony (66’), Bruno (80’),
Cartão Vermelho: Hugo Ribeiro (67’).



