Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Museu guarda a história do concelho a partir de doações

Depois de ter albergado os Paços do Concelho, fazenda pública, GNR, a cadeia feminina, o edifício histórico entre a praça central e a igreja matriz, recebe, desde os anos 50 do século passado, o Museu Municipal Berta Cabral. Quem sobe as escadas para conhecer as salas expositivas não imagina que ali estão albergados mais de três mil objetos, que percorrem a história do concelho vila-florense, desde há milhares de anos.

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A maioria dos objetos foi doada pela população, e essa é uma das particularidades deste museu tão diferente. A maioria é do século XIX, mas há estelas, moedas e um berrão com milhares de anos. Este último, que se encontrava num antigo castro, no cimo da serra, onde hoje está situado o Santuário de N. S. da Assunção, em Vilas Boas, tem cerca de 3500 anos, já que é típico da cultura castreja.

A ideia de criar um museu em Vila Flor surgiu de Raúl de Sá Correia, que começou a reunir peças junto da população, sendo por vezes insistente e não deixava cair no esquecimento as promessas de alguma relíquia que alguém tinha lá em casa.

Para abrir o equipamento cultural, contaram com o apoio do Estado e de beneméritos, destacando-se Cabral e Berta Cabral, a quem ficou a dever o nome.

A diversidade do espólio é um dos motivos que surpreende os visitantes. Se à entrada se deparam com arte sacra, na segunda sala os artefactos vão desde numismática, leques, mobiliário antigo até máquinas de escrever, sendo uma das maiores coleções conhecidas. Noutro espaço impõe-se a pintura e, ao lado, documentos de relevo para o concelho, como o foral manuelino, no andar de baixo os achados mais antigos, bengalas que escondem armas, utensílios de cozinha antigos, grafonolas ou telefonias, e até arte africana. Uma grande diversidade, que demonstra o gosto pelas artes que a população de Vila Flor foi sempre tendo.

A cada canto descobre-se uma relíquia. O objeto destacado no mês de maio foi um leque, cuja relevância foi agora descoberta. O leque comemorativo do casamento dos reis D. Carlos e D. Maria Amélia é um dos poucos que ainda existem. Produzido em França com osso e cetim, até agora só se conheciam quatro no país e este é o quinto.

Já o ano passado foi “descoberto” um quadro que durante o processo de restauro, se percebeu que é de uma das escolas de pintura flamenga do século XVI, tendo um valor incalculável.

Outras unidades

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