Juntar uvas colhidas no Douro Superior com as de Cima Corgo é a aposta de um produtor-engarrafador duriense, para a elaboração de vinhos brancos de qualidade. Este é o projecto de José Nápoles que está a dar os seus frutos e a emprestar, aos vinhos do Douro, novas “nuances”, nas suas características organolépticas. Ou seja: este viticultor junta as uvas das castas Rabigato, Gouveio, Malvasia Fina e Códega, colhidas numa vinha antiquíssima, com mais de cem anos, existente na Touça (Vila Nova de Foz Côa) às similares dos vinhedos da Quinta do Travesso, em Barcos (Tabuaço).
“Dão vinhos muito equilibrados, aromáticos a fruta, estruturados e de cor citrina e palha e com outro tipo de acidez” – disse-nos José Nápoles.
Outra variante, com reflexos qualitativos nos vinhos produzidos assim, prende-se com o facto de a Sub-Região do Douro Superior ter pouca pluviosidade e onde, por vezes, os tratamentos fitossanitários são reduzidos.
“Na Touça, tratamos só as vinhas à base de aplicações de enxofre, o resto nem é preciso” – sublinhou José Nápoles. Há, ainda, outra vantagem: “Estes vinhos podem ser bebidos durante dois e três anos, no auge das suas qualidades, dada a sua estrutura. A sua graduação alcoólica pode chegar aos 12 ou 13 graus”.
A produção da Quinta de Monte Travesso atinge as oitenta pipas. Este ano e a exemplo de outros produtores, teve uma quebra acentuada de colheita.
Jmcardoso





