Vila Real celebra este ano 100 anos de elevação a cidade. O que representa para si estar à frente da autarquia nesta data tão marcante?
É uma honra imensa liderar Vila Real neste marco histórico dos 100 anos de elevação a cidade. Sinto um profundo sentido de responsabilidade por dar continuidade ao legado de gerações que fizeram de Vila Real uma cidade com história, tradição e futuro, nomeadamente o legado de Rui Santos, que me antecedeu na Câmara Municipal. Celebrar o Centenário é também renovar o compromisso com uma cidade mais dinâmica, inclusiva e ligada ao território duriense e transmontano.
O Centenário é um tributo à cidade, à sua história, à sua gente. O que quer destacar?
Essencialmente, o Centenário é uma celebração da identidade vila-realense. A força das nossas tradições, o dinamismo do movimento associativo, das nossas freguesias, o papel da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro na afirmação do conhecimento, a importância do Teatro de Vila Real na cultura, e a memória viva do Jardim da Carreira ou do Parque Corgo, da Casa de Diogo Cão ou do Palácio de Mateus, apenas para dar alguns exemplos de espaços que contam a nossa história.
Disse que o Centenário “é um marco de renovação e ambição para o futuro”. Que cidade gostaria de ver num futuro próximo?
Quero uma Vila Real cada vez mais coesa, com habitação acessível, mais mobilidade e melhor espaço público. Uma cidade amiga do ambiente, com uma economia forte, com mais áreas verdes como o Parque Corgo, mas conectada digitalmente e com oportunidades para todos. Apostamos na regeneração urbana, no reforço da ligação à UTAD e na afirmação de Vila Real como capital do interior, com ambição e qualidade de vida. Conhecemos muito bem o território, os seus pontos fortes e aqueles que ainda precisam de aperfeiçoamento, mas temos tido a capacidade de fazer acontecer.
Como tem visto a evolução da cidade nos últimos anos?
A cidade transformou-se muito: reabilitamos o centro histórico, modernizamos infraestruturas, vias rodoviárias, qualificamos escolas, valorizamos equipamentos culturais, desportivos e reforçámos a ligação ao rio Corgo, através dos passadiços. O Circuito Internacional ganhou nova projeção, o aeródromo cresceu em importância, e projetos como a nova ligação da Av. 1º de Maio à ponte de ferro mostram que Vila Real está a preparar-se para o futuro. Mas, apesar de nesta entrevista estarmos focados no centenário da cidade, nunca nos esquecemos das nossas freguesias rurais e também aí investimos muito na mobilidade, nos equipamentos sociais, no saneamento.
A cidade evoluiu, mas considera que poderia ter evoluído mais?
A evolução é evidente, nomeadamente na última década, mas há sempre muito a fazer. Gostaríamos de ter avançado ainda mais na fixação de jovens, na reabilitação habitacional ou no crescimento económico. São alguns dos temas em que queremos sempre mais. Tivemos visão integrada e ousadia, conseguimos muito em pouco tempo, mas agora temos a oportunidade de acelerar, com o apoio dos fundos comunitários, e de corrigir assimetrias, como a pouca oferta de arrendamento acessível.
Que papel poderá ter Vila Real na afirmação do interior Norte de Portugal?
Vila Real pode e deve liderar o interior Norte. Somos sede de uma universidade pública de excelência, temos centros de investigação, um parque de ciência e tecnologia – o Régia Douro Park -, boas acessibilidades, uma nova zona de acolhimento empresarial praticamente pronta, e uma vida cultural e desportiva ativas. O nosso papel é ser polo de coesão e inovação, colaborando com entidades privadas e com os concelhos vizinhos para fixar população e atrair investimento qualificado.
O que está previsto para as celebrações do Dia da Cidade, 20 de julho?
O 20 de julho será vivido com emoção, mas neste ano do centenário as comemorações durarão todo o ano. Teremos uma sessão solene no dia da cidade, como é habitual. Reconheceremos pessoas e instituições, 03mas durante meses teremos concertos, inaugurações simbólicas, momentos de participação comunitária e espetáculos inesquecíveis. Queremos envolver todos – escolas, associações, famílias – e mostrar o melhor da nossa cidade. Será um dia de festa, mas também de memória e futuro, vivido nas ruas, nos palcos e na alma de cada vila-realense.
Como vê o futuro da cidade daqui a 100 anos?
Imagino Vila Real como uma cidade inteligente, sustentável e inclusiva. Um polo de desenvolvimento regional, ligada por comboio de alta velocidade, com mais zonas verdes, economia criativa, ciência aplicada, cultura acessível e uma comunidade ativa. Uma cidade que soube crescer sem perder a alma – que preserva o que a torna única e continua a ser farol de qualidade de vida no coração do interior norte. E espero ter podido contribuir um pouco para tudo isso, porque essa é a minha obrigação enquanto vila-realense. Quanto ao resto, a velocidade da evolução tecnológica e científica é tão grande, que ninguém poderá adivinhar o que nos espera nos próximos 100 anos.




