“Os corpos de bombeiros têm de passar a ser mistos. Têm de ter pessoal voluntário, sim, mas a primeira linha de socorro tem de ser profissional”, afirma, reforçando que “não podemos estar dependentes dos voluntários, não só porque são cada vez menos, mas principalmente devido à exigência do dia-a-dia”.
Os Bombeiros de Murça têm 45 elementos, “28 dos quais profissionais”, o que “para a nossa realidade é suficiente”. Ainda assim, “esperamos, no próximo ano, adquirir a terceira Equipa de Intervenção Permanente, de forma a garantir o socorro 24 horas por dia”.
“Os bombeiros são muito mais que incêndios rurais”
RICARDO INÁCIO – COMANDANTE
Nestes 10 anos, “houve uma aposta muito grande, por parte da Associação, no que diz respeito à formação. Os bombeiros de agora estão mais preparados e mais qualificados. Para se ter uma ideia, em Murça temos 20 bombeiros com licenciatura”, indica Ricardo Inácio.
Questionado sobre o combate a incêndios, o comandante lamenta que “só se lembrem de nós nessas alturas”, afirmando que “somos muito mais que isso”. “Lidamos com a vida todos os dias, estamos lá sempre que é preciso e mesmo assim apontam-nos o dedo. Ninguém fala, por exemplo, dos desencarceramentos, um ato que, em Portugal, só os bombeiros são capazes de fazer”.
“Os bombeiros precisam de ser valorizados ao longo de todo o ano”
VÍTOR SANTOS – PRESIDENTE
“A Proteção Civil só quer saber de incêndios porque lhes dá mediatismo”, salienta, recordando o grande incêndio que assolou o concelho há pouco mais de um ano. “Percebi que nunca sabemos tudo e que o próprio sistema se sobrepõe a tudo. Passámos de uma catástrofe para o mediatismo”. E vai mais longe.
Para Vítor Santos, presidente da direção, não há muito mais a acrescentar, reforçando apenas a ideia de que “os bombeiros precisam de ser valorizados ao longo de todo o ano”, defendendo, também, a profissionalização como forma de “fixar gente na região”.
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