Sábado, 30 de Maio de 2026
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O jovem que regressou da Suíça para liderar São Vicente da Raia

A eleição surpreendeu-o e nunca pensou estar na posição atual. A candidatura surgiu quase por acaso. Inicialmente, a ideia era apenas formar uma lista que pudesse fazer oposição.

No entanto, à medida que o projeto ganhava forma, o apoio da população foi crescendo. “Cheguei definitivamente da Suíça e a minha ideia foi sempre apoiar em tudo o que fosse preciso, mas não queria estar à frente”, explica. Ainda assim, por insistência de muitos acabou por aceitar. “Tantas vezes me disseram que eu devia candidatar-me que acabei por aceitar”.

O resultado confirmou a confiança da população num projeto marcado pela juventude. A lista integra vários jovens, incluindo o presidente da Assembleia de Freguesia, que tem apenas 19 anos, estuda Direito em Lisboa e dá uma ajuda preciosa em alguns assuntos. “Quando comecei a ver que tinha tanto apoio, pensei: porque não tentar?”, conta à VTM.

 

Apesar da juventude da equipa, o presidente da Junta de São Vicente da Raia acredita que o trabalho depende, sobretudo, da proximidade com a população. Tendo passado a infância e juventude na freguesia, diz conhecer bem as pessoas e os problemas que as apoquentam.

“Este cantinho sempre foi muito importante para mim, tanto que quando estava na Suíça estava sempre a pensar na terra”, afirma.

Entre as primeiras prioridades do executivo está a limpeza e recuperação de caminhos agrícolas, que dão acesso a terrenos. Segundo o presidente da junta, muitos desses acessos estavam degradados, dificultando o trabalho dos proprietários. Mas há outros problemas estruturais que preocupam o executivo, como o estado das estradas e o abastecimento de água.

Outro problema da freguesia é a falta de água durante o verão, sobretudo em agosto, quando regressam muitos emigrantes e aumenta a população nas aldeias. Parte da rede de abastecimento é antiga e sofre roturas frequentes.

POTENCIAL

Apesar das dificuldades, o autarca acredita no potencial da freguesia e defende que o interior precisa de mais condições para fixar população jovem. O próprio presidente conhece bem o fenómeno da emigração. “Praticamente todos os jovens acabam por sair, porque aqui não há muitas oportunidades”, lamenta. Ainda assim, a comunidade continua a reunir-se em vários momentos do ano, sobretudo nas festas das aldeias, que mantêm um forte espírito de convívio.

Além disso, a junta promove iniciativas de convívio para a população, vistas pelo presidente como fundamentais numa freguesia envelhecida, onde muitos idosos vivem sozinhos depois de os filhos terem emigrado.

“O nosso objetivo é que ninguém se sinta esquecido. Queremos tentar ajudar no que for possível e manter as pessoas próximas da junta”, assume como ponto de honra do trabalho do executivo. “Aqui o importante é ajudar a freguesia. Se trabalharmos todos juntos conseguimos sempre fazer mais”, conclui.


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