Sem luz, sem casa de banho, sem água, o tecto e as paredes do quarto onde dormem a ruir e uma casa que mais parece uma enxerga. Assim vivem pai e filho, na Rua da Torrinha, em Donelo do Douro, “longe de tudo”. É mais um caso dos “sem nada” que ainda existem e que pugnam por uma habitação condigna. Ao lado da casa arruinada, está a Igreja de Santa Maria Madalena, padroeira da aldeia, mas cujas graças, ao que parece, ainda não beneficiaram José Joaquim dos Santos, de 44 anos, e Carlos Santos, de 19 anos. Para pintar mais de negro este “quadro”, o pai é doente e o filho, depois de estar acolhido numa Escola de Chaves e trabalhar numa padaria, está desempregado. “Lavamo-nos numa bacia, quando queremos tomar banho, e, por vezes, nem conseguimos acender o lume da lareira, pois o vento entra, por todos os lados, e chove cá dentro” disse José Joaquim dos Santos que ainda tem mais dois filhos, acolhidos numa unidade social de Chaves.
Para sobreviver, vai trabalhando na vinha. “O que ganho é para mim e para ele”.
Carlos Santos, está “triste, por viver numa casa assim. Prometem que nos ajudam, mas estamos nisto, há mais de dez anos”.
Ao que apurámos, a habitação onde vive pai e filho não é deles, mas, sim, de quatro herdeiros que os deixam ali estar, “até arranjar uma melhor”.
O Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Manuel Marques, garantiu que “este caso é dos prioritários, num projecto social de reabilitação habitacional que vai ser implementado. Está a ser acompanhado e que toca a todos nós. Vamos, com certeza, resolvê-lo”.
Segundo o autarca, “se a casa estivesse em seu nome, o problema há muito que estaria solucionado“.
Uma das hipóteses, para esta família, poderá passar pela recuperação da escola de Chanceleiros.
Jmcardoso





