“Firmemente unidos às últimas palavras do Senhor e ao testemunho que marcou a sua vida, queremos, como comunidade eclesial, seguir as suas pegadas e confiar o nosso irmão às mãos do Pai: que estas mãos misericordiosas encontrem a sua lâmpada acesa com o azeite do Evangelho, que ele difundiu e testemunhou durante a sua vida”, declarou Francisco.
O Papa disse que a vida dos cristãos, e em particular de quem é “pastor”, deve imitar a de Jesus Cristo numa “entrega contínua nas mãos do seu Pai” e aproveitou para citar a homilia do seu antecessor, na missa do início do pontificado, a 24 de abril de 2005.
“Apascentar significa amar e amar quer dizer também estar prontos para sofrer. Amar significa dar às ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, da palavra de Deus, o alimento da sua presença”.
Usando a imagem das mãos do crucificado, com as suas chagas, Francisco falou das “mãos de perdão e compaixão, de cura e misericórdia, mãos de unção e bênção, que o impeliram a entregar-se também nas mãos dos seus irmãos”.
A reflexão abordou ainda três caraterísticas do “coração do pastor”: “dedicação agradecida, dedicação orante e dedicação sustenta pela consolação do espírito”.
Sem referências diretas à renúncia do seu antecessor, o Papa elogiou quem vive numa “confiança orante e adoradora, capaz de moldar as ações do pastor e adaptar o seu coração e as suas decisões aos tempos de Deus”.
“É a consciência do pastor que não pode carregar sozinho aquilo que, na realidade, nunca poderia sustentar sozinho e, por isso, sabe abandonar-se à oração e ao cuidado do povo que lhe está confiado”, acrescentou, citando, de novo, a homilia de Bento XVI.
Francisco elogiou, ainda, o “testemunho fecundo daqueles que, como Maria, permanecem de muitos modos ao pé da cruz, naquela paz dolorosa, mas robusta, que não agride nem escraviza”.
“Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz”, concluiu.
A cerimónia foi concelebrada por 125 cardeais e 400 bispos, incluindo representantes portugueses, nomeadamente os cardeais D. Manuel Clemente, D. António Marto e D. José Tolentino Mendonça, bem como os bispos D. José Ornelas (presidente da CEP), D. Carlos Azevedo (delegado do Comité Pontifício das Ciências Históricas), D. Américo Aguiar (presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023) e vários clérigos ao serviço da Santa Sé, assim como cerca de 4 mil sacerdotes.
Bento XVI, Papa entre 2005 e 2013, faleceu a 31 de dezembro de 2022, aos 95 anos de idade. O sucessor de São João Paulo II foi o primeiro pontífice a renunciar ao pontificado desde Gregório XII, em 1415.
Bento XVI foi sepultado, por seu desejo expresso, na Cripta da Basílica de São Pedro, no túmulo que recebeu São João Paulo II, antes de o Papa polaco ser transferido para uma capela perto da ‘Pietà’ de Michelangelo, após a sua canonização. O caixão em cedro foi selado com os selos da Prefeitura da Casa Pontifícia, do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e do Capítulo de São Pedro, antes de ser colocado numa urna em zinco e num terceiro caixão, em madeira.





