Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

A Sinodalidade é Imparável

A sinodalidade é irreversível na Igreja. Parafraseando Karl Rahner, que afirmou que “o cristão do séc. XXI ou seria místico ou não seria cristão”, podemos também afirmar, e permitam-me o atrevimento, que a Igreja do séc. XXI ou será sinodal ou não será Igreja.

-PUB-

O Papa Leão XIV tem lançado vários incentivos para que a transformação aconteça na Igreja e a mudança prossiga, lembrando que é um processo imparável. Alguns setores eclesiais ainda manifestam algum pessimismo, outros perplexidade, pressente-se alguma resistência e desconfiança, e até muitos cristãos ainda não estão a entender o que se pretende para a Igreja. Estamos a precisar de mais paixão e convicção pela sinodalidade, como nos pedia há dias o cardeal Francesco Coccopalmerio.

Procurando esclarecer mais um pouco, por sinodalidade queremos dizer, basicamente, que qualquer atividade na Igreja deve ser realizada em conjunto, caminhar em conjunto, ou seja, não agir sozinho, mas com os outros. Vimos de um tempo em que praticamente o padre é que decidia tudo sobre o bem da paróquia. O povo ou os leigos não eram vistos nem achados para nada, não participavam nas decisões sobre o bem da paróquia. A Igreja considera que esta cultura está errada, porque todos os cristãos, a partir do batismo, são corresponsáveis pela vida e missão da Igreja. Uma Igreja sinodal é uma Igreja, no caso de uma paróquia, em que os padres e os leigos se reúnem, dialogam, e perante o conhecimento da realidade paroquial, decidem o bem da paróquia em conjunto. E como se pode fazer isso de forma prática? Criando-se nas paróquias ou conjunto de paróquias um Conselho Pastoral Paroquial.

Mas atenção a dois pontos importantes: a sinodalidade não é criar mais uma estrutural eclesial, mas estabelecer uma nova cultura na vida da Igreja, um novo modo de ser igreja, caminhar em conjunto; por outro lado, a sinodalidade deve ser vivida na Igreja sob a escuta do Espírito Santo, que orienta e conduz a Igreja. Nas reuniões entre pastores e leigos tem de haver um momento privilegiado e central de escuta do Espírito Santo. Ele é que conduz a Igreja, não somos nós.

Neste momento estamos na fase da aplicação das conclusões do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade. Vão-se realizar assembleias sinodais arciprestais nos próximos tempos e lá mais para a frente assembleias sinodais paroquiais. A todos os cristãos se pede empenho pela sinodalidade e formação. Perguntemo-nos: que posso fazer pela Igreja ou pela minha paróquia?

ARTIGOS do mesmo autor

NOTÍCIAS QUE PODEM SER DO SEU INTERESSE

ARTIGOS DE OPINIÃO + LIDOS

Notícias Mais lidas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS