Quinta-feira, 14 de Maio de 2026

Trabalhador

E passamos por mais um dia do Trabalhador. Até dá vontade de rir. Trabalhador? Onde?

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Este ano até calhou numa uma sexta-feira. Coincidência simpática. Quinta-feira à tarde já ninguém estava com a cabeça no sítio. Começamos a arrumar a tralha mais cedo, a sair de fininho antes da hora, como se tivéssemos medo de alguém nos pedir qualquer coisa. Afinal já cheira a fim de semana prolongado. O resto que exploda. Voltamos segunda.

Trabalhámos 11 meses, recebemos 14 salários e ainda dizemos que é pouco. Há quem sonhe com 15 meses, com uma redução para 30 horas semanais e com pelo menos 3 folgas por semana. Melhoramos a qualidade de vida para aumentarmos a rentabilidade, dizem.  Mas eu não confio nessa teoria. Nós não estamos treinados para render, estamos treinados para empatar, para esticar prazos, para fazer render o tempo e não o trabalho.

Se fôssemos malta produtiva, quando a nossa empresa estivesse em dificuldades, não iríamos cruzar os braços à espera da indemnização e do subsídio de desemprego, como fazemos. Metíamos mãos à obra, fazíamos das tripas coração. Porque se a empresa cai, o trabalhador vai atrás. Mas nós por cá não somos assim. Aqui vamos buscar o violino e esperamos pelo fim com a serenidade de quem sabe que o dinheiro há de cá vir, nem que seja o estado a pagar.

Também há quem diga que somos um povo trabalhador e que só não fazemos mais porque também não somos reconhecidos. Pois não. E sabem porquê? Porque do outro lado também estão a fazer contas à vida. Carga fiscal absurda, impostos em cima de impostos, margens ridículas e custos irreais. Pequenas empresas, cumpridoras e esforçadas, esmagadas em burocracias e contas para pagar enquanto grandes corporações ditam as regras do mercado, contornam a lei à frente de todos e seguem impunes e lucrativas.

Trabalhar para o Estado acaba por ser um sonho de consumo para muitos que buscam uma suposta estabilidade, segurança e um patrão mais certo ao fim do mês. Mas o problema é que a máquina do estado também está pesada e sobrecarregada. E alguém tem de pagar as supostas regalias dos funcionários públicos. Spoiler: somos nós que sustentamos isto tudo. Ninguém escapa, afinal há que a alimentar a estrutura.

Como somos parvos, caímos em qualquer cantiga para andarmos satisfeitos (e calados). A moda é subirem 50 euros todos os anos enquanto nos põem a fazer planos a longo prazo. Dizem que a meta é ter um salário mínimo de 1500€. O problema é que até lá, já a luz subiu, a água subiu, o gás subiu, os combustíveis subiram, tudo subiu. Recebes mais? Ótimo. Gastas ainda mais sem dar por isso. Mas segues feliz porque o salário subiu.

Tudo isto para nos lembrarmos que celebramos hoje o Dia do Trabalhador. Um dia que foi feito feriado precisamente para que ninguém trabalhe, embora muitos o façam (talvez por rebeldia, sei lá). A esses (e a todos os trabalhadores no geral), um feliz dia.

Eu hoje fico por aqui a pensar nas férias.

Até amanhã.

 

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