Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

O suicídio

O suicídio está na ordem do dia. Dados da Organização Mundial de Saúde, estão a acontecer oitocentos mil suicídios por ano em todo o mundo. Morrem mais pessoas por suicídio do que por sida, malária, cancro da mama, na guerra ou homicídio.

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Em Portugal, por dia, estima-se que três pessoas tiram a vida, em média. A maior incidência acontece nos homens com mais de 65 anos, mais no interior e sul do país. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens (15-19 anos) na União Europeia. Nos Estados Unidos da América, no ano de 2022, cinquenta mil americanos puseram fim à sua vida. Muitos eram adolescentes e jovens. Nos últimos anos, a taxa tem diminuído, mas a incidência continua a ser preocupante.

Está a acontecer também entre o clero da Igreja católica. Neste ano de 2026, já são conhecidos, pelo menos, cinco casos de sacerdotes que puseram fim à sua vida. Todos conhecemos um caso ou casos bem perto de nós, pessoas que exibiam rostos alegres e vidas, aparentemente, felizes e realizadas, mas que por baixo da epiderme se debatiam pela sobrevivência num grande sofrimento, angústia, falta de sentido e vazio existencial.

Não vamos cair em avaliações e julgamentos fáceis. As causas do suicídio são complexas. Todos concordamos que temos de fazer mais, instituições, famílias e sociedade, na prevenção do suicídio. Algumas pistas são inevitáveis. É preciso prestar mais atenção à saúde mental. As pessoas estão a revelar mais fragilidade, instabilidade e vulnerabilidade.

A falta de saúde mental está na origem de grande número de suicídios. Depois é preciso respeitar mais a família e o tempo que a família precisa para ser família. Neste mundo da pressa e sem tempo, a família convive pouco e mal, há pouco tempo para a escuta, nem sempre os pais, dispersos e sobrecarregados de trabalho, prestam a devida atenção aos filhos, que facilmente podem cair nas armadilhas que podem levar ao suicídio. Por fim, temos de repensar alguns valores que se promovem na cultura atual: o narcisismo doentio que só vive de exibicionismo e aprovação a toda a hora e que não sabe viver com a rejeição e a insignificância; o individualismo exacerbado, que mergulha na solidão pouco saudável; o isolamento e a indiferença entre as pessoas; o materialismo e o hedonismo reinantes, que arrastam para a insatisfação e o vazio existencial; a falta de relações sociais de qualidade; inexistência de projetos de vida sólidos, humanizantes e realizadores, para além do imediato e útil da vida.

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