Quinta-feira, 14 de Maio de 2026

O Cansaço do Clero

Está-se a debater e a comentar, neste momento, dentro da Igreja, o cansaço do clero.

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Chovem alertas de vários quadrantes e já começam a existir alguns estudos que comprovam que o assunto merece muita atenção. Um clero cansado não serve bem e não exerce o seu ministério com qualidade, e não se esquecendo, sobretudo, os graves danos que poderão advir para a saúde física e mental. Nos últimos anos, por falta de padres, os párocos têm assumido cada vez mais paróquias e têm acumulado mais funções e atividades litúrgicas, administrativas, financeiras e sociais. Os padres são uma espécie de canivetes suíços. Em muitas paróquias os recursos humanos começam a ser limitados. Devido ao trabalho excessivo, começa a faltar tempo para o bom descanso, a vida espiritual, a formação contínua e até para o cuidado pessoal, que é fundamental para se viver e servir de forma saudável. Além do mais, persiste a cultura eclesial de que tudo tem de passar pelo padre ou pelo bispo, e que têm de estar presentes em todas as atividades e acontecimentos, acarretando, muitas vezes, mais trabalho e horas desgastantes. Exige-se ao padre uma disponibilidade permanente, um sacrifício constante por todas as solicitações que lhe batem à porta, pouco se respeitando a sua humanidade, que tem limites. A médio e longo prazo, é inevitável o cansaço e até o colapso físico e mental.

Temos de questionar, quanto antes, uma certa idealização do sacrifício e o elogio da exaustão desmedida até ao limite na vida da Igreja. Promove-se um certo heroísmo clerical, um padre não pode dizer não, nem pode virar a cara a todas as dificuldades e obstáculos que enfrenta. Mesmo que esteja cansado, tem de se doar e lutar sempre, resistir até à última gota do seu suor, mesmo em grave prejuízo para a sua saúde. Hoje sabemos que, neste estado, não se presta um bom serviço ao Povo de Deus e é caminho certo para muitos desequilíbrios e adoecimentos. O sacrifício também tem limites e é preciso respeitar a humanidade das pessoas. Por outro lado, também cabe ao padre não viver num ativismo febril, saber delegar responsabilidades e definir prioridades. Um padre não se define só pela sua ação, sendo de evitar o excesso de atividade para se ter reconhecimento e valorização diante dos outros.

É um assunto que deve ser refletido com alguma urgência nas comunidades cristãs. Esperemos que a reflexão sinodal, que se está a realizar atualmente na vida da Igreja, aponte novos caminhos e proponha algumas soluções.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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