Clara Andermatt disse hoje à agência Lusa que o projeto parte da premissa de trabalhar sobre o universo dos Pauliteiros, mas que expandiu o espetáculo para o “território riquíssimo” que é Trás-os-Montes.
O projeto “Do Terreiro ao Mundo” nasceu de um desafio lançado pelo Teatro de Vila Real à companhia Instável, que convidou a coreógrafa Clara Andermatt, tratando-se de uma coprodução com o Centro Cultural de Lagos.
“Só pode ser uma interpretação e uma visão particular. Quem conhece o universo dos Pauliteiros, quem conhece as danças (…) vai bem entender a raiz e os desvios”, referiu a coreógrafa, que adiantou que a peça “está cheia de referências” como os paus, as cores e a dança numa interpretação sua desta tradição.
O Diretor do Teatro de Vila Real, em declarações à LUSA diz que “É uma forma, talvez, de nós próprios começarmos a olhar para as nossas tradições como uma possibilidade de reinvenção e de dar o nosso contributo à arte universal a partir de elementos que fazem parte do nosso código genético, enquanto transmontanos”.
Com raízes na chamada “dança das espadas”, os Pauliteiros executam a tradicional “dança dos paus”, caracterizada por movimentos guerreiros, rituais e religiosos, acompanhada por gaita-de-foles, caixa e bombo. As danças rituais dos Pauliteiros nas festas tradicionais de Miranda do Douro estão integradas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, desde abril de 2025.
O espetáculo é interpretado por quatro bailarinos e dois músicos que, em palco, constroem um diálogo entre corpo, gesto e som, e tem música original de Luís Pedro Madeira e Clara Andermatt. Luís Pedro Madeira é multi-instrumentista, professor de educação musical e compositor. Os figurinos são de Gabriela Gomes, artista plástica e investigadora.
Clara Andermatt profere que “é bonito ver que as coisas estão muito vivas e que há muita gente a fazer esse trabalho, que dão valor à tradição e que vão também desenvolvendo e criando coisas novas e isto é mais uma visão”, considerando que este foi um desafio “muito interessante”, ao mesmo tempo, sentiu “as coisas muito vivas” e “também algum desconsolo” pelo despovoamento que atinge este território.
A estreia de “Do Terreiro ao Mundo” no sábado, marca também o arranque do festival de dança contemporânea Algures a Nordeste, que decorre até ao final de setembro, em Vila Real, e inclui cinco espetáculos, um deles de dança inclusiva direcionado às escolas.
O festival inclui ainda uma homenagem a Camilo Castelo Branco com o projeto “Camilo – Vida e Obra”, do Ballet do Douro, o espetáculo “Maurice Accompagné”, da Companhia Paulo Ribeiro, e “In Absentia, com Helder Seabra.




