O Partido Comunista Português (PCP) sublinhou, no dia 28, na sequência de um debate sobre o Douro, que a Região “precisa da implementação da Regionalização e da criação da Região Administrativa de Trás-os-Montes e Alto Douro, com órgãos democraticamente eleitos e responsabilizados, como condição necessária ao seu progresso e desenvolvimento”.
Foi exactamente essa a ideia defendida pelo Secretário-Geral do Partido, Jerónimo de Sousa, que classificou o processo, “urgente”, de regionalização não só como “um indispensável instrumento de promoção de políticas de desenvolvimento regional, de combate às assimetrias regionais e de aprofundamento da democracia”, mas, também, como forma de “dar coerência a uma efectiva reforma da Administração do Estado e de racionalização de serviços” dando, de facto, resposta às necessidades das populações.
Jerónimo de Sousa lamentou, assim, que os sucessivos Governos Socialistas e Sociais-Democratas “adiem” o processo de regionalização, adiem uma das soluções para a resolução dos problemas do Douro.
“A questão central é como se distribui a riqueza produzida pelos trabalhadores agrícolas, pelos pequenos agricultores durienses”, considerou o Secretário-Geral do PCP, lembrando números que apontam para que “de cada 100 euros de valor acrescentado pelo trabalho dos viticultores, apenas 20 euros ficam na região”.
O líder do Partido Comunista referiu, ainda, que, na audição, ficou “patente que não faltam recursos para a promoção do desenvolvimento regional e do país. O que falta é uma política que os potencie, ao serviço do desenvolvimento de todos e com uma justa perspectiva de justiça social”.
Mário Costa, da Direcção Regional do PCP de Vila Real, referiu, mesmo, que “apesar dos muitos milhões, inscritos em vários programas destinados à região, desde o Projecto de Desenvolvimento Rural Integrado de Trás-os-Montes (PDRITM) ao PRODOURO, cuja execução, em média, não ultrapassou os 30 por cento, este continua a ser um dos territórios mais pobres do país, mostrando que medidas e programas avulsos não correspondem às necessidades da região”.
Segundo o documento que resultou do encontro organizado pelas Direcções Regionais de Bragança, Guarda, Vila Real e Viseu, no âmbito da preparação da Conferência Nacional do PCP que se vai realizar, nos dias 24 e 25 de Novembro, no Seixal, os comunistas sublinham que a defesa da Região Demarcada do Douro “exige a mobilização dos agricultores, dos trabalhadores rurais e de toda a população”.
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