Na comparação com anos anteriores, o país atingiu marcos históricos neste âmbito. Segundo dados da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, o valor recorde representa um crescimento de 10,8% face a 2023.
Concretamente, a produção renovável totalizou 36,7 TWh, que foi o valor mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional. 31,9% é proveniente de energia hídrica, 31% de eólica, 10,7% de fonte solar e 6,9% a partir de biomassa.
Este aumento foi impulsionado quer pelas condições globalmente favoráveis registadas para a produção energética no ano anterior, quer pelo crescimento da capacidade instalada de energias renováveis em 8%, analisa a APREN, destacando-se aqui o aumento de parques fotovoltaicos.
No sentido contrário, a produção de eletricidade caiu 49% face a 2023, sendo este o valor mais baixo desde 1988.
A nível percentual, Portugal foi, entre janeiro e dezembro de 2024, o quarto país na Europa com maior incorporação renovável na geração de eletricidade.
No que diz respeito à procura, as renováveis asseguraram 71,5% do consumo nacional, em 2024.
“A maior utilização dos recursos endógenos e renováveis portugueses para a produção de eletricidade tem alterado a composição do mix de produção de eletricidade em Portugal e tem, consecutivamente, desempenhado um papel cada vez mais determinante na satisfação do consumo”, avalia a APREN.
Já no primeiro trimestre de 2025, dos 14.113 GWh de eletricidade gerada em Portugal, 81,8% tiveram origem renovável, com destaque para a produção a partir de barragens. Só em março deste ano, cerca de 84% da energia elétrica foi produzida por fontes renováveis, (40,9% hídrica, 30,4% eólica, 8% solar e 4,7% bioenergia).
Descarbonizar
Esta substituição gradual das fontes de energia traz benefícios ambientais, económicos e para a sociedade.
A produção de energia limpa evitou a emissão do equivalente a 11,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, no ano passado.
A APREN estima ainda que a incorporação renovável na geração de eletricidade tenha permitido a poupança de 683 milhões de euros em licenças de emissão e 411 milhões de euros na importação de energia. Esta estimativa é feita com base no pressuposto de que se não houvesse a produção de energia limpa, recorrer-se-ia a gás natural e a importações.
Assim, a APREN acredita que a poupança em gás natural importado ronda os 1.942 milhões de euros.




