Apesar da importância da temática, as questões ambientais são habitualmente instrumentalizadas por quem defende maior intervenção centralizada nas economias. Tem-se propagado o preconceito de que a liberdade económica é incompatível com a preservação ambiental, mas, na realidade, o que se verifica é precisamente o inverso: defender a descentralização e os instrumentos de mercado tem-se revelado a melhor forma de proteger o ambiente.
Analisando a correlação entre liberdade económica (através do “Index of Economic Freedom”, da The Heritage Foundation) e desempenho ambiental (proveniente do estudo “Environmental Performance Index”, do Yale Center for Environmental Law & Policy), percebe-se que quanto maior for a liberdade económica, melhor é o desempenho ambiental. No topo da tabela dos países com melhor desempenho ambiental encontramos países do Norte da Europa, que são, ao mesmo tempo, dos países que mais liberdade económica garantem aos seus cidadãos e empresas. No fundo da tabela, encontramos países com baixos índices de liberdade económica, essencialmente países asiáticos e africanos.
Portugal é o 48.º país com melhor desempenho ambiental (último da União Europeia), sendo o 31.º país com melhor pontuação no índice de liberdade económica (16.º na UE).
Os números revelam, por isso, que não temos de optar entre a economia e o ambiente. Não existe uma inevitável dicotomia quando se discute o ambientalismo. Nem sequer está em causa o capitalismo. A liberdade económica foi e tem sido um instrumento fundamental para que os agentes de mercado inovem e encontrem modelos mais eficientes de preservação e valorização do ambiente. Se a emoção superar a racionalidade, perdemos a economia e perdemos o ambiente.




