“O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apresentado pelo Governo no dia 15 de fevereiro, e que entra agora num processo de discussão e auscultação pública, é uma sentença de morte ao Interior de Portugal e uma fraude, pois anuncia a “recuperação e resiliência da economia e da sociedade” e promete a coesão territorial mas, na verdade, faz tábua rasa das necessidades e planos estratégicos e de desenvolvimento da CIM Douro, dos seus 19 municípios e condena as aspirações das mais de 200 mil pessoas desta região e de todo o Interior de Portugal”, começa por dizer, num comunicado enviado à comunicação social, Carlos Silva Santiago, presidente da CIM Douro, sublinhando que esta seria a derradeira oportunidade de que o Interior “dispunha para inverter o ciclo demográfico e de isolamento a que temos sido votados nas últimas décadas”.
O também presidente da câmara municipal de Sernancelhe relembra que, em 2017, a CIM Douro apresentou alguns projetos, tais como o IC26, a internacionalização da Linha do Douro e o Douro Inland Waterway, para que a região “pudesse retomar um processo de crescimento económico sustentável, que convergisse com o país e a Europa” e que não foram tidos em conta neste plano agora apresentado.
“O PRR agora conhecido constitui uma mentira e uma ilusão, concentrando os investimentos concretos e de futuro no Litoral e reservando para a região apenas os cuidados continuados, os cuidados paliativos e o reforço da rede de apoio à terceira idade, tratando-se de uma medida de “resiliência”, promotora de desenvolvimento harmonioso do território nacional”, referiu, acusando o Governo de mentir “quando afirma que o PRR é uma “visão estratégica de Portugal, objeto de um amplo processo de auscultação pública da sociedade portuguesa, tendo merecido um vasto consenso no que respeita à generalidade das prioridades elencadas”.
Carlos Silva Santiago vai mais longe e afirma que António Costa e António Costa e Silva, a quem apelida de “para ministro”, “governam contra a vontade dos autarcas, das regiões, do povo, e agem com dolo, fruto do desconhecimento da realidade nacional e da sua conceção megalómana e cosmopolita de um país em que 2/3 do território é interior”.
Na mesma nota, o autarca defendeu ainda a criação de uma Associação de Nacional de Municípios do Interior profundo de Portugal e em tom de protesto diz que nem o Interior nem o Douro aceitam este PRR. “É uma infâmia para com uma região que é conhecida pela sua resiliência e que, por causa das discriminações e às mais atrozes decisões do poder central, permanece pobre, quando na realidade dá um contributo inquestionável à economia nacional, à balança comercial de Portugal, tanto faz pela imagem e prestígio do país e sistematicamente gera riqueza para ser depois aplicada noutras regiões mais ricas e desenvolvidas”, lembrou o autarca rematando: “Em junho, quando for conhecido o resultado do CENSOS, o país real que António Costa e António Costa e Silva ignoram na estratégia para a próxima década, vai ser conhecido. Aí vão perceber que daqui a 10 anos estará morto e que eles foram os coveiros do Interior de Portugal”.



