Sábado, 16 de Maio de 2026
João Gonçalves
João Gonçalves
Presidente da CIM Douro e da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães

O Poder Local e a CIM Douro: quando a estratégia se faz com proximidade

Falar de poder local é falar numa das linhas de frente da democracia e coesão territorial. É no poder local que se encontra o conhecimento real do território, as respostas rápidas aos problemas diários, a ajuda às famílias mais necessitadas e o apoio às empresas. É fazer muito com pouco, é o investimento nas melhorias concretas e não nos projetos genéricos, é o dinheiro investido localmente, que é a força motriz da economia local e regional.

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É nas autarquias que a política deixa de ser uma abstração legislativa para se tornar efetiva em projetos e na participação que permite às pessoas influenciarem diretamente os destinos da sua terra. Contudo, os municípios isolados enfrentam limites físicos e financeiros, e é aqui que o conceito de cooperação intermunicipal ganha vida.

Em regiões como o Douro, o poder local é a última linha de defesa contra a desertificação. É o zelo pelas tradições, gastronomia e monumentos que definem a identidade de cada lugar para se atrair turistas que fazem mover a economia dos municípios.

A CIM Douro não é apenas uma entidade intermunicipal:  é a voz agregada de 19 municípios que partilham a denominação Douro, mas também desafios demográficos, económicos e geográficos.  A CIM Douro tem sido instrumental em áreas críticas como o Ambiente e a Sustentabilidade, como a gestão de resíduos e a proteção da bacia hidrográfica. Na promoção da marca “Douro” como selo de excelência global. Na mobilidade com a criação de redes viárias e de transportes que aproximam as populações dos centros urbanos. No que toca a acesso a fundos europeus, Bruxelas está mais propensa a financiar projetos regionais robustos do que pequenas obras isoladas, sendo nas CIM que esses fundos deverão ser negociados e geridos. O peso do Conselho Intermunicipal onde estão os presidentes dos 19 municípios tem muito mais força para exigir investimentos prioritários, como a Linha Ferroviária do Douro, a Via Navegável do Rio Douro e o futuro IC26.

Os municípios são depositários das ambições das populações transmitindo e reivindicando junto do poder Central os recursos necessários.

No Douro, o futuro escreve-se no plural.

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