Sábado, 6 de Junho de 2026
RegiãoPrimeira pedra do Espaço Miguel Torga lançada por José Sócrates

Primeira pedra do Espaço Miguel Torga lançada por José Sócrates

Nasceu em 2007, num desafio lançado pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates, ao Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Marques, no sábado o repto foi ganho pelos dois. A primeira pedra para o Espaço Miguel Torga já está colocada e a obra vai avançar. Equipamento será uma referência nacional torguiana e constituirá ao mesmo tempo um projecto educativo interactivo com outros pólos culturais nacionais e internacionais.

Utilizando uma linguagem adequada à quadra que atravessamos, o Pai Natal pôs no sapatinho da Cultura, deste País, o Espaço Miguel Torga. A “prenda” foi colocada num lugar privilegiado em S. Martinho de Anta, ou seja, próxima do berço do escritor. Na realidade, foi dado o passo decisivo para que o equipamento seja construído. Momento marcante em que o Primeiro-Ministro fez questão de estar presente.

O Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Marques, agradeceu a infra-estrutura em nome da freguesia, do concelho e da região. “Graças ao empenho e articulação com o Governo Central, num projecto comum, foi possível lançarmos a primeira pedra assinalando o arranque da edificação de uma estrutura física de excelência que acolhe um ambicioso projecto: o Espaço Miguel Torga. Será um equipamento cultural estruturante para a região, mas sobretudo para o Concelho de Sabrosa e em particular para a vila de S. Martinho de Anta. Queremos que este equipamento possa funcionar como espaço de referência artística, a começar pela arquitectura”.

Na presença de meio milhar de pessoas, o autarca elogiou o projecto e o seu autor, Souto de Moura. “Possui elevadíssima qualidade e faz um apelo íntimo de ligação à terra. O Arquitecto/artista soube compreender e interpretar a homenagem que o edifício representa”.

José Marques não esqueceu “Magalhães” e realçou a sua futura articulação com um outro equipamento. “A este projecto associaremos um outro, outro nome e outra figura ilustre que se vai articular naturalmente: Fernão Magalhães, sobre o qual Torga também muito escreveu, designando-o como seu conterrâneo e patriarca da conquista espacial da liberdade. Possuímos sinais claros de que este concelho está a mexer e a ser dotado de um conjunto de recursos estruturantes para o sucesso dos seus projectos de investimento, como sejam o Projecto Espaço Miguel Torga e o Projecto Fernão Magalhães. Mas, sobretudo, o projecto de ligação da variante de S. Martinho de Anta ao IP4, o qual aguardamos ansiosamente a adjudicação”.

O edil concluiu a sua intervenção agradecendo à filha do escritor. “Agradeço o envolvimento e a cumplicidade da filha do poeta, professora Clara Crabbé Rocha, que desde a primeira hora tem constituído um grande estímulo, garante adicional de adequação do espaço e dos seus conteúdos”. Numa carta, a filha do homenageado alegou a sua ausência devido a uma doença, mas desejou que o Espaço Miguel Torga “seja, no futuro, não apenas um digno lugar de homenagem à obra do poeta, mas também um importante pólo cultural na região, em articulação com os espaços de memória ligados aos maiores nomes da Literatura Portuguesa, como Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós”.

O Ministro da Cultura, José Pinto Ribeiro, na sua intervenção fez vincar a envolvência do equipamento. “Quando o projecto estiver concluído, a tarefa passa por invadir o espaço que é vosso”.

José Sócrates no seu discurso realçou as suas origens. “Sou daqui, aprendi pela primeira vez a gostar da palavra fraga com o Miguel Torga. Cada vez que oiço um verso de Miguel Torga fico sempre com a sensação de quem regressou a casa, porque quando atravessava, com o meu pai, as montanhas durienses e ele me falava das fragas, sempre achei que isso era vir ao campo e era para mim era uma maçada. Verdadeiramente, comecei a sentir a beleza da fraga quando li os versos de Miguel Torga”.

José Sócrates considerou que o Espaço Miguel Torga para além de homenagear o génio do poeta, “pretende evocar o homem, o carácter e a rectidão de Torga”. “O Espaço pretende ser uma oferta cultural, não apenas de S. Martinho de Anta, mas integrada numa rede cultural de Trás–os-Montes”. O chefe do governo garantiu apoio para a nova casa. “Assumo, como Primeiro-ministro, que o governo apoiará a Câmara de Sabrosa na construção deste projecto”.

O Espaço Miguel Torga será revestido a xisto basáltico, oriundo de Vila Nova Foz de Côa, e terá a aparência de muros vinhateiros.


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